Considerando as expectativas de vendas externas recordes, e diante às incertezas, como prever as exportações do cereal para os próximos meses?

A produção robusta de milho no Brasil, especialmente na chamada ‘safrinha’, os preços mais atraentes para o produtor e a melhora da competitividade do produto brasileiro em função do dólar mais forte sinalizam que o Brasil exportará mais do que se esperava inicialmente. Esses fatores implicam em considerar, para este ano, vendas externas recordes (ultrapassando as pouco mais de 26 milhões de toneladas exportadas em 2013).

No entanto, quando esta expectativa encontra os números divulgados, quanto ao ritmo de embarques, há uma controvérsia identificada. “Apesar de os dados da Secex ainda não estarem trazendo exportações de milho em níveis mais altos, em meio do contexto favorável, o acompanhamento mensal feito pela Associação Nacional dos Exportadores de Cereal, ANEC, traz um volume de embarques mais elevado”, observa a analista da INTL FCStone, Ana Luiza Lodi.

Destaca-se o dado de agosto, quando, segundo a Secex, foram embarcadas 2,28 milhões de toneladas do cereal, enquanto a ANEC indicou exportações em 4,49 milhões. Essa diferença ocorre devido à metodologia utilizada pelas duas instituições. Os dados da ANEC consideram o que foi efetivamente embarcado no período, enquanto a Secex precisa fechar toda a documentação para o dado poder ser lançado no sistema.

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Para avaliar os próximos volumes exportados, a INTL FCStone analisou dois cenários. No primeiro deles, considerando as exportações por mês para se alcançar a estimativa de exportações da Conab (de 26,4 milhões de toneladas), os volumes embarcados devem ficar bastante aquecidos, batendo recordes mensais de exportação e movimentando o porto de Santos/SP, por onde é escoada a maior parte do milho brasileiro.

Já levando-se em conta os dados da ANEC até agosto, segundo Lodi, seria possível o Brasil superar o estimado pela Secex e pela INTL FCStone (de 27 milhões de toneladas). Este cenário totalizaria um volume embarcado de 28,5 milhões de toneladas de milho.

Concorrência
Apesar do cenário favorável às exportações de milho, o volume da soja nos portos pode influenciar a movimentação do cereal nos próximos meses. Isso porque a sazonalidade de embarques da oleaginosa, contrária ao milho, foi influenciada pela competitividade da soja, que também melhorou significativamente e fez prolongar as exportações em quantidade considerável até pelo menos a metade do mês de setembro.

“Isso poderia influenciar o ritmo e até mesmo o volume de milho exportado, uma vez que a capacidade de escoamento dos portos brasileiros é limitada”, atenta Lodi. No entanto, as rotas de escoamento dos grãos não devem apresentar entraves.

Segundo dados da Secretaria do Comércio Exterior, a soja é escoada especialmente pelos portos de Paranaguá e Rio Grande, enquanto o milho utiliza a rota de Santos como principal via. Em Paranaguá, há uma certa concorrência entre os dois grãos, mas a quantidade de milho exportada costuma ser secundária.

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De acordo com avaliação da analista Natália Orlovicin, a exportação do milho não deve sofrer interferência da soja. “Os embarques devem ocorrer normalmente, com capacidade suficiente para atingir a estimativa para este ano ou mesmo superá-la”, resume.

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