Aumentar a velocidade de ganho dos animais e reduzir o tempo de permanência dos animais na propriedade.

Mas, por que aumentar a produtividade de pastagens?

Todo produtor rural trabalha intensamente para aumentar a produtividade de sua propriedade, reduzindo custos, riscos e principalmente tempo. Com a adubação correta é possível um ganho médio diário de 0,45 para 0,55 kg/animal/dia, além da redução de 4,5 meses para a terminação animal (Bezerros de 160 kg a 480 kg de peso vivo).

Resumidamente estes são os principais motivos para a realização da adubação de pastagens:

1 – Na Formação de Pastagens
2 – Na Reforma de Pastagens em determinado estágio de degradação
3 – Redução do Efeito da Seca
4 – Aumento de Produtividade

Formação de Pastagens – Correção da fertilidade do solo

pastagens

São necessários alguns cuidados iniciais:

  • Aplicação de calcário – superficial e à lanço;
  • Incorporação do calcário (aração, gradagem pesada ou leve);

A correção realizada com calcário ou outro corretivo de acidez, reduz a toxidez do alumínio nas pastagens, isso impede que ele promova o encurtamento das raízes e consequente arranquio das touceiras.

Algumas plantas são exigentes com relação à resistência a acidez.

Este quadro mostra gramíneas adaptadas a sistemas de produção de diferentes níveis tecnológicos ou intensidade de produção:

Nível Tecnológico Forrageira
Intensivo

Gramíneas do Grupo I

Panicum maximum (Aruana, Tanzânia, Tobiatã)

Cynodon (Coast-cross, Tiftons)

Pennisetum purpureum (Cameron, Napier)

Médio

Gramíneas do Grupo II

Brachiaria brizantha (Braquiaria Marandu, MG5, Piatã e Paiaguas)

Andropogon gayanus (Andropogon)

Cynodon plectostachyus (Estrelas)

Extensivo

Gramíneas do Grupo III

Brachiaria decumbens, B. humidicola

Paspalum notatum (Batatais, Pensacola);

Melinis minutiflora (Gordura)

 

A correção da acidez aumenta a resposta de pastagens quando for realizada a fertilização para aumento de produção.

Pastagens

Formação de Pastagens

pastagens

Após a correção da acidez do solo é necessário a adubação para a formação de pastagens. Neste caso podemos aplicar:

A) Adubação fosfatada

  • Grande importância no estabelecimento;
  • Resultados da análise química do solo;
  • Fontes: Fosfatos de rocha, parcialmente acidulados ou fontes solúveis (superfosfatos simples e triplo);
  • Momento: No preparo do solo ou na semeadura/plantio? f=fonte;
  • Forma: a lanço ou localizada (no sulco) função da fonte; no sulco (ao lado e abaixo das sementes);
  • Mecanizada ou manual? função da operacionalidade.

B) Adubações Nitrogenada e Potássica

  • Grande importância no desenvolv./cresc.;
  • Fontes (N): fontes solúveis (Uréia, Sulfato de amônio; Nitrocálcio);
  • Fontes (K2O): fontes solúveis (KCl; K2SO4);
  • Momento: em cobertura (milho – 3 e 6 semanas; past. 30-40 dias);
  • Forma: a lanço (junto: Nitrogenada e Potássica);
  • Mecanizada ou manual? f=operacionalidade.

Recuperação de pastagens

pastagem

Antes de mais nada é importante sabermos as possíveis causas da degradação de pastagens:

  • Germo plasma (espécie/cultivar) inadequado ao local
  • Implantação incorreta
  • Sementes de baixa qualidade
  • Ausência de práticas conservadoras do solo
  • Preparo inadequado
  • Ausência de correção da acidez do solo
  • Plantio deficiente ou inadequado
  • Ocorrência de pragas, doenças e invasoras

Resultados de pesquisas tem provado grande vantagem econômica/operacional para RECUPERAÇÃO de pastagem em relação a FORMAÇÃO.

A recuperação de pastagem acontece principalmente via:
1) Adubação correta;
2) Divisão e manejo de piquetes;
3) Diferimento de Pastagens (estratégia de suplementação para o período seco do ano);
4) Combate e controle de invasoras.

Nas figuras a seguir temos a adubação de pastagens x revolvimento do solo:

recuperação
recuperação

Quais as condições para realizar a fertilização de recuperação/manutenção de pastagens?

  • Adequada cobertura vegetal
  • Sob cobertura vegetal inadequada – recomenda-se a vedação da pastagem para formação de sistema radicular e aproveitamento da fertilização de cobertura
recuperação

Esta foto mostra uma área em estado inadequado para adubação de recuperação ou manutenção

 

deficiencia

Exemplo de sistema radicular deficiente

Redução do efeito seca

Este gráfico mostra a adubação para redução do efeito da seca:

adubação

Tipo de fertilizante recomendado – Nitrogenado

Quantidade recomendada – de 70 a 150 kg/ha (seguir as orientações do profissional que fará a leitura da análise de solo)

A) Porcentagem e disponibilidade de matéria seca em três estratos verticais em pastos de B. decumbens diferidos, avaliados em dois períodos de utilização com aplicação de 100 kg/ha de N -Uréia

adubação

 

B) Desempenho em ganho de peso médio diário (GMD), peso corporal (PC) inicial e final de novilhas leiteiras, digestibilidade da matéria seca (DMS) e oferta de forragem de pastos de B. decumbens diferida, avaliados em dois períodos de utilização

adubação

Aumento de Produtividade

boi gordo

Produção intensiva é um sistema que acumula trabalho e capital em terreno relativamente limitado. (Ferreira 1993)

Este é foco principal de qualquer produtor rural, aumentar a produtividade sem elevar os custos envolvidos com isso e ainda evitar o desmatamento.

Veja este gráfico que mostra a resposta à Adubação Nitrogenada

adubação

A tabela a seguir mostra os teores de proteína bruta e os valores de digestibilidade da matéria seca

nutrição animal

Esta foto representa bem uma área com e sem a adubação Nitrogenada

adubação

 

No gráfico a seguir podemos constatar o aumento da lotação em função da adubação

lotação

 

Outra representação do aumento gradativo da UA/ha em função adubação com diferentes níveis de Nitrogênio.

lotacao-2

 

Conclusão

Podemos considerar que o retorno investido na adubação correta é forma mais eficaz de melhorar a produtividade sem agredir a natureza, pois temos:

  • Aumento da capacidade de lotação das pastagens (UA/ha) sem desmatamento;
  • Retorno financeiro de R$ 2,50 a R$ 3,20 para cada R$ 1,00 investido com fertilizantes (3 vezes o valor investido);
  • Aumento do desempenho animal em 0,2 a 0,8 kg/animal/dia;
  • Redução do tempo de finalização do animal (cerca de 4,5 meses);
  • Acúmulo de massa de forragem para o período de seca.

 

Escrito por Dr. João Batista Rodrigues de Abreu

João BatistaPossui graduação em Zootecnia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1985), aperfeiçoamento em Nutrição de Ruminantes pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1989), mestrado em Ciência Animal e Pastagens pela Universidade de São Paulo (1995) e doutorado em Agronomia (Solos e Nutrição de Plantas) pela Universidade de São Paulo (1999).

Atualmente é professor Associado 1 da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

Tem experiência na área de Zootecnia, com ênfase em Avaliação, Produção e Conservação de Forragens, atuando principalmente nos seguintes temas: pastagem, nitrogênio, adubação nitrogenada, adubação e estratégias de reserva de forragem para uso no período de escassez.

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