Com arroba estável perto de R$ 319, o risco não está no preço, mas na estratégia de venda do lote.
O boi gordo começou janeiro de 2026 com o preço andando de lado, mas isso não significa tranquilidade para quem está com animal pronto. O Indicador CEPEA/B3 em São Paulo gira ao redor de R$ 319/@, com variações mínimas na primeira semana do ano. Na prática, o produtor olha o número e pensa que nada mudou. O ponto é que, quando o mercado entra em estabilidade prolongada, a margem passa a depender muito mais da decisão comercial do que da alta do preço.
Hoje, o desafio imediato é simples e direto: vender agora nesse patamar, segurar esperando alguma reação ou usar ferramentas de proteção para não ficar exposto a uma virada brusca do mercado. O preço não está ruim, mas também não está sobrando gordura na conta.
O que a cotação do boi mostra hoje no mercado físico
O Indicador CEPEA/B3 do boi gordo, referência nacional, fechou em R$ 319,40/@ em 09/01/2026, com variação praticamente nula no dia. Ao longo do período entre 05 e 09 de janeiro, o indicador oscilou muito pouco, ficando sempre entre R$ 318 e R$ 319/@. Isso caracteriza um mercado físico ajustado, sem pressão forte nem de alta nem de baixa.
Quando o indicador anda de lado desse jeito, normalmente significa que frigorífico e pecuarista estão se entendendo no preço. A indústria não precisa subir a oferta para originar boi e o produtor, por sua vez, não está forçado a entregar abaixo do que considera viável. Essa leitura é reforçada pela média a prazo em São Paulo, que ficou em R$ 323,32/@ em 09/01/2026, com leve alta diária.
Na prática, o produtor sente isso no bolso quando percebe que negociar virou mais uma questão de prazo, escala e padrão do lote do que de apostar em mudança de preço. Quem tem boi comum está fechando dentro desse intervalo. Quem tem boi bem acabado, com escala curta do frigorífico, ainda consegue algum ajuste, mas sem exagero.
Mercado futuro confirma estabilidade no curto prazo
O mercado futuro na B3 está contando a mesma história do físico. Os contratos de boi gordo com vencimento em jan, fev e mar de 2026 fecharam muito próximos do indicador CEPEA, todos ao redor de R$ 318 a R$ 319/@ no fechamento de 09/01/2026. Apesar das variações negativas no dia, a distância entre físico e futuro é pequena.
Esse desenho da curva mostra que o mercado não está precificando, neste momento, nenhum choque relevante de oferta ou demanda no curto prazo. Para o produtor, isso tem duas implicações práticas. Primeiro, não há prêmio claro para esperar. Segundo, travar preço hoje não significa abrir mão de um ganho evidente, mas sim garantir margem.
Quando físico e futuro andam colados, a decisão deixa de ser sobre “acertar o topo” e passa a ser sobre gestão de risco. É aí que entra o uso consciente de trava de preço, contratos a termo ou até mesmo venda escalonada.
Custos e margens pedem atenção redobrada
Com o boi estável, o foco total precisa estar no custo de produção. Alimentação, reposição, mão de obra e despesas financeiras não param de rodar enquanto o preço da arroba fica parado. Quem está com confinamento ou semiconfinamento em andamento sente isso com mais força.
O que muda a conversa é entender que, nesse cenário, segurar boi esperando centavos a mais pode custar reais por arroba se o ganho de peso não compensar o custo diário. Porteira para dentro, eficiência virou fator decisivo de margem.




