O agronegócio brasileiro está cada vez mais alinhado com os princípios da sustentabilidade e da responsabilidade socioambiental. Na linha de frente dessa transformação está o crédito rural, ferramenta essencial para impulsionar a produtividade no campo e, ao mesmo tempo, garantir o cumprimento das exigências legais e ambientais. E para entender como isso funciona na prática, durante a Tecnoshow Comigo, conversamos com Roberto França, diretor de Agronegócios do Bradesco, que esclareceu em detalhes o rigoroso processo de avaliação para se ter acesso ao crédito.
Segundo Roberto, todos os bancos adotam uma postura de examinar com atenção e minúcia, a fim de descobrir, perceber, conhecer o proponente. “A gente tem que escrutinar nosso cliente. A gente vê se ele tem restrições ambientais, se ele tem algum apontamento para temas associados à escravidão, se ele teve algum embargo de algum órgão público“, afirma França. Aperte o play no vídeo abaixo para conferir a entrevista!
Esse processo, conhecido como due diligence socioambiental, é hoje uma exigência não apenas do mercado, mas também do próprio Banco Central, que reforçou sua agenda ESG (ambiental, social e de governança) nos últimos anos. Segundo França, os bancos mantêm conversas frequentes com a autoridade monetária para debater novas formas de aprimorar os critérios de sustentabilidade no campo.
“A agenda do Banco Central hoje para questões socioambientais é muito intensa. A gente tem reuniões periódicas debatendo como que a gente amplia esses assuntos.”, diz.
A avaliação cuidadosa dos produtores rurais antes da liberação de crédito vai além da conformidade documental: é também uma forma de garantir que os recursos sejam aplicados em projetos realmente comprometidos com o uso eficiente da terra, a preservação ambiental e o desenvolvimento econômico de longo prazo.
Nesse contexto, o produtor rural brasileiro tem sido protagonista. Em meio a desafios como instabilidades climáticas, aumento nos custos de produção e pressão por maior transparência, muitos têm conseguido manter uma alta produtividade sem abrir mão da sustentabilidade.

“O crédito rural já faz isso há muito tempo: escrutiná-lo para ver se está dentro de toda a legislação ambiental, dentro do enquadramento das operações, e a aplicação dos recursos tem que ter afinidade com aquilo que é o projeto agronômico”, explica o diretor.




