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Em semana curta, dólar e bolsa no centro do cenário de tensão política

O rescaldo das manifestações pró-governo e as reações, inclusive do presidente, influenciarão a economia. Leia também sobre cenário externo desafiados para o milho e o comportamento do boi, pós-vaca louca.

Em semana curta, com tensões políticas no cenário, as atenções ficam para o comportamento do câmbio e do mercado de ações.

E o dólar abriu em alta nesta quarta (8)

As reações do Congresso e, especialmente, do STF, às ameaças dos movimentos pró-governo que tomaram as ruas no feriado de 7 de setembro, estão no centro tanto quanto qual será o comportamento do presidente Jair Bolsonaro.

Que ele tenha se sentido fortalecido pelo apoio não há dúvida. Vai depender, também, se o seu tom, que muitos viram como ameaçador nos discursos de Brasília e de São Paulo, vai ser mais potencializado.

Nesses dois casos, ou seja, com tensões mais altas, certamente o dólar tende a subir e as ações caírem, como ocorre sempre em casos de aversão ao risco. Para os exportadores, acaba sendo bom.

Ou justamente por ser uma semana de três dias úteis, o mercado tende a deixar a poeira baixar?

O que pode fazer o dólar e a B3 se descolarem do ambiente interno é o mercado internacional.

As próximas pesquisas de opinião, captando o 7 de setembro, ficarão no aguardo. Se não houver reflexo positivo nas intenções de voto para Bolsonaro, o que os bolsonaristas certamente atribuirão à manipulação, o fogo aumentará.

Cenário incerto para o milho

A colheita do milho safrinha fechou, numa estimativa média de quebra de 20 milhões de toneladas, concluindo a temporada 20/21 do cereal em quase 82 milhões/t, também em torno de 20 milhões/t a menos que no ciclo anterior.

E enquanto o milho de verão já vai sendo semeado, começando pelo Sul, os exportadores estão de olho em duas situações: (1) a menor disponibilidade brasileira deveria dar mais força para os preços internacionais, (2) até porque a demanda externa não seria afrouxada.

Mas o que se vê é a possibilidade de o Brasil não atingir as 20 milhões/t embarcadas, frente a mais de 34 milhões/t de 2020. No acumulado de janeiro até o 3 de setembro foram exportados 10,8 milhões/t, contra 15,5 milhões/t do mesmo período de 2020.

O que está acontecendo de tão diferente então, na comparação com o que se viu desde o segundo semestre de 2020?

Além de estoques mais elevados nas mãos dos chineses (como também se vê com a soja), houve uma substituição muito grande de parte do milho que ia para rações.

O trigo e outras forrageiras passaram a compor o balanço das dietas, inclusive no Brasil. Daí também que o trigo explodiu este ano em preços.

Não que o cenário para o milho esteja muito prejudicado, tanto que se espera até um aumento de 8% a 10% na área do milho de verão, mas não será tão bom quanto foi no ano anterior.

Tanto que houve um aumento de terras para o milho na safra de inverno, que só caiu pela produtividade achatada pela estiagem generalizada que tomou conta do Brasil.

Vale lembrar, ainda, que as importações brasileiras no acumulado do ano já mais do que dobraram, também de janeiro a setembro, para mais de 1,3 milhão/t.

E os grandes compradores estão comprometidos com muito milho argentino que deve chegar nas próximas semanas, finalizando um período de abastecimento que costuma cessar entre novembro e dezembro.

Vaca louca resolvida e o curto prazo acanhado para o boi

Não se espera grandes efeitos para boi, no curto prazo, com o estrago internacional reduzido depois que a Organização Internacional da Saúde Animal aceitar o diagnóstico de vaca louca atípica (sem risco de contágio) e com a China aparentemente não desacreditando as informações do governo brasileiro.

O mercado interno, fraco, está ditando os preços do boi e os frigoríficos estão conseguindo alongar as escalas, mesmo com o pouco de boi acabado disponível.

Ocorre que ainda tem muito animal saindo de confinamentos grandes, que atendem as necessidades das indústrias, inclusive externamente.

Por: Giovanni Lorenzon – AGRONEWS® é informação para quem produz

 
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