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Falta de mecanização adequada causa prejuízos de 40% na colheita do gergelim

Produtores do Vale do Araguaia em Mato Grosso, região que é responsável por até 90% da produção nacional, garantem que o prejuízo com as perdas na colheita do gergelim podem chegar até 40% da produção.

A cultura do gergelim possui ampla adaptabilidade as condições de clima quente e bom nível de resistência a seca. Essa tem sido uma das razões de muitos produtores rurais mato-grossenses optarem em fazer a rotação de culturas, por exemplo, milho alternando com gergelim, na safrinha, entre os meses de fevereiro a julho, principalmente na região Vale do Araguaia.

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Mato Grosso é hoje o maior produtor de gergelim do Brasil. A procura pelo grão tem aumentado devido à crescente demanda de produtos industrializáveis, principalmente no mercado externo. O teor de óleo dos grãos, que é de aproximadamente 50%, favorece o uso na indústria alimentícia, por exemplo, na panificação e na indústria química.

O pesquisador Diego A. Fiorese, que é professor de mecanização agrícola da UFMT campus Sinop, vai retornar a campo, no final desse mês, para fazer novas coletas em fazendas no Vale do Araguaia e outras regiões de MT, que devem ajudar na conclusão do estudo, que vai gerar recomendações aos produtores para redução das perdas durante a colheita do gergelim. “O mercado busca máquinas com maiores adaptações para a colheita do gergelim, por ser uma oleaginosa leve e fina, e hoje, não existe máquinas especializadas para esse tipo de colheita”, afirmou Fiorese. Ele destaca ainda que para a colheita mecanizada existem inúmeros cuidados e ajustes a fim de reduzir as perdas, mais não é um processo consolidado ainda. “São adaptações nas plataformas de máquinas realizadas a nível de fazenda ou em empresas metalúrgicas, ou oficinas agrícolas”, destaca o pesquisador Diego. “Iremos levantar novos números e consolidar um relatório amplo, o qual irá ajudar o setor produtivo. No entanto, devemos ressaltar que as pesquisas são contínuas e sempre haverá busca por melhorias”.

A colheita é a etapa mais importante para o rendimento final da produção do gergelim. O produtor rural Marcos da Rosa, por exemplo, que possui propriedade em Cararanã, noroeste de Mato Grosso, região que é responsável por até 90% da produção nacional, garante que o prejuízo com as perdas chega até 40% da produção da planta no campo. Ele cobra mais pesquisas para ajudar no melhoramento genético e na redução das perdas durante a colheita.” A maior problemática ligada a mecanização é justamente a colheita, que tem sido alvo de inúmeras reclamações por parte dos agricultores, os quais tem informações insuficientes e pouca tecnologia disponível”, garante Fiorese.

O professor de mecanização agrícola da UFMT, Diego Fiorese, destaca três características da cultura do gergelim que são diretamente ligadas a dificuldade em se mecanizar:

  1. Tamanho dos grãos ou sementes: geralmente são entre 1 e 3 mm e massa de mil grãos varia de 2 a 4 gramas;
  2. Deiscência: cápsulas se abrem ao atingir a maturação e provoca problemas grave na colheita, os grãos caem antes mesmo da máquina colher (perda natural) e nos impactos da plataforma de corte;
  3. Umidade de armazenamento: Os grãos devem ser armazenados com teor de água de 5 a 6%, sendo necessário uma colheita com a planta seca.

Diego Fiorese, que integra o Laboratório de Agricultura de Precisão e Mecanização Agrícola da UFMT, vem realizando trabalhos direcionados para conter as perdas na colheita. Inclusive, tem acompanhado a colheita em fazendas de Mato Grosso. “Em duas propriedades nos municípios de Sorriso e Nova Ubiratã, foram possíveis avaliar as perdas naturais de grãos, perdas de plataformas e perdas dos mecanismos internos (picador e peneiras) e perdas totais que chegaram a 40%. Nestas duas propriedades, observou-se perdas entre 226 e 400 kg/ha”, observou Diego. Na safra de 2020, foram identificadas propriedades com perdas que superaram 50%. O pesquisador da UFMT conclui afirmando que o foco para redução das perdas na colheita deve ser dado em adaptações na plataforma de corte, onde visualmente e numericamente pode-se observar o maior impacto. “Faz-se necessário o envolvimento da indústria para o desenvolvimento de tecnologias que possam ser adquiridas pelos produtores interessados.”

Por Márcio Moreira – AGRONEWS

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