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Na Tecnoshow, Augusto Cury defende nova imagem para o Brasil

Vicente Delgado
06/04/2026 às 13:20
Na Tecnoshow, Augusto Cury defende nova imagem para o Brasil

O especialista da mente humana ainda defende que “a imagem do Brasil é vendida de maneira inadequada dentro e fora do país

Nesta segunda-fera, 6 de abril, durante a abertura de um dos eventos mais importantes e aguardados do setor produtivo, a Tecnoshow Comigo 2026, uma reflexão contundente e profundamente humana chamou a atenção de todos os presentes. O “Auditório 1” ficou pequeno e rapidamente o espaço foi completamente lotado por um público sedento, não para ouvir sobre as mais recentes tecnologias de maquinário de precisão ou cotações de commodities, mas para acolher uma mensagem íntima, urgente e transformadora. No palco principal, o renomado psiquiatra, professor e escritor Augusto Cury conduziu uma reflexão essencial, profunda e acolhedora sob o tema “Saúde mental no agro: como proteger a mente dos líderes em um setor de alta pressão“.

Na Tecnoshow, Augusto Cury diz que Brasil deve ser "supermercado do mundo" e não apenas o celeiro

Em um ambiente onde a força bruta das máquinas pesadas, as oscilações do mercado global e as intempéries implacáveis da natureza ditam o ritmo diário, falar sobre vulnerabilidade, estresse e saúde mental é, por si só, um ato de extrema coragem e inovação. A palestra magistral de Cury teve como foco central a profunda conexão existente entre o alto desempenho nas lavouras e o delicado equilíbrio emocional daqueles que estão na linha de frente da gestão agropecuária. Ser um líder no campo não exige apenas conhecimento técnico profundo sobre o clima, a genética das sementes ou a biologia do solo; exige, acima de tudo, uma couraça emocional resiliente que, embora muitas vezes seja invisível aos olhos da sociedade urbana, é o pilar que sustenta toda a cadeia produtiva.

DNA do agro

O grande diferencial da fala inspiradora de Augusto Cury, e o elemento que certamente cativou a multidão que se espremia nos corredores do auditório, foi o fato de que ele não discursava de um pedestal acadêmico distante da terra, da poeira e da realidade suada do homem do campo. Ele falava de igual para igual. Com uma empatia genuína e um tom profundamente humanizado que tocou os corações dos presentes, Cury fez questão de compartilhar sua própria vivência íntima e sua conexão visceral com a agricultura. Para a surpresa e o alento de muitos, o psiquiatra revelou que as dores, as angústias e as vitórias do produtor rural também fazem parte de sua própria jornada de vida. “Eu nasci no agro, eu vivi no agro“, confidenciou ele, aproximando-se do público não apenas com a autoridade de um médico da mente, mas com a solidariedade de um companheiro de lavoura.

Essa imersão de Cury no mundo rural não é apenas uma força de expressão ou uma metáfora reconfortante. Ele detalhou com orgulho que, há mais de duas décadas, sua família iniciou um audacioso projeto plantando cerca de 500 hectares de mogno africano, além de manter ativas diversas plantações de seringueira e eucalipto. Para mostrar que seu compromisso com a terra continua crescendo, revelou que o seu grupo empresarial também tem expandido seus investimentos e esforços diários para o cultivo complexo de cacau e de citros. Essa vivência prática, tátil e rotineira com a terra confere a Cury uma autoridade inquestionável para abordar a esmagadora pressão do setor produtivo.

Ele compreende, na própria pele, o que significa olhar para o céu com apreensão aguardando a chuva, e o que significa carregar o peso invisível de produzir o pão diário de milhões. “Eu sei as dificuldades que vocês passam, eu sei que vocês sustentam esse país“, declarou, oferecendo uma validação emocional profunda para a exaustão e o esforço monumental dos líderes do agronegócio ali sentados.

A imagem do Brasil precisa mudar

Um dos momentos mais tocantes, reflexivos e contundentes de sua apresentação ocorreu quando Cury tocou em uma ferida aberta do setor: a imagem deturpada do agronegócio brasileiro, um fator externo que corrói silenciosamente a saúde mental e fere o orgulho de nossos produtores. Existe uma dor lancinante no coração daquele que trabalha incansavelmente de sol a sol, protegendo a terra que cultiva, e, ainda assim, se vê frequentemente retratado como o vilão da história. Ele ressaltou, em clara ressonância e concordância com os influencers e defensores do agro, que “a imagem do Brasil é vendida de maneira inadequada dentro e fora do país“. Essa dissonância brutal entre o trabalho árduo focado na preservação e a narrativa internacional muitas vezes injusta gera um esgotamento psicológico severo para as lideranças do setor, colocando-os repetidamente sob a “mesma guilhotina, ainda que se justifique que o país é irresponsável em relação ao que gasta e em relação ao que arrecada“, completa.

Com a percepção aguçada de um especialista que compreende os labirintos do comportamento humano e a delicada diplomacia das relações públicas, Cury propôs à plateia uma verdadeira revolução na forma como o nosso país deve se comunicar, se portar e se defender perante o mundo.

Na Tecnoshow, Augusto Cury defende novo papel para o Brasil

Para proteger a mente dos produtores rurais e resgatar o orgulho nacional ferido, a narrativa hegemônica precisa ser urgentemente alterada. “As embaixadas brasileiras deverão ser repaginadas para que os embaixadores treinados, bem como os diplomatas, possam vender que o nosso país é um dos mais responsáveis ambientalmente no mundo, mas infelizmente tem sido um dos piores divulgados no teatro das nações“, sentenciou o psiquiatra, expressando uma indignação construtiva que ecoou fortemente pelas paredes do pavilhão.

A manutenção da saúde mental de um líder no agro passa, irremediavelmente, pela justa valorização de sua identidade, do seu suor e do seu inestimável legado histórico. Por isso, o Dr. Augusto Cury defendeu com veemência que as embaixadas brasileiras passem por um processo de atualização transformadora, tornando-se embaixadas “4.0“, com a nobre missão de capacitar e treinar os colaboradores diplomáticos a reescreverem essa história global. A grande e necessária virada de chave, de acordo com o pensador, é orientar esses profissionais para que não vendam lá fora o Brasil apenas como o “celeiro ou a fazenda do mundo, mas o Brasil como o supermercado do mundo“, agregando o devido valor ao trabalho de quem produz tecnologia, qualidade e sustentabilidade no campo.

O agronegócio brasileiro como protanista mundial

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Em um gesto final de profundo reconhecimento pessoal, humildade e afeto sincero, Cury fez questão de direcionar palavras calorosas a figuras importantes do setor de agronegócios, elogiando o trabalho brilhante e a imensa pujança do que eles, como representantes deste polo produtivo em Goiás, conseguiram erguer a duras penas. “Olha o que vocês fizeram. Olha que pujança. Isso é Belíssimo“, enalteceu o palestrante.

Na psicologia e na liderança humana, esse tipo de reconhecimento público é uma das ferramentas mais poderosas de cura e de motivação: validar o sacrifício do outro, enxergar a beleza monumental do trabalho arduamente erguido e celebrar as conquistas coletivas com gratidão.

Ao final da jornada, a mensagem de Augusto Cury nessa manhã na Tecnoshow Comigo 2026 transcendeu enormemente os estreitos limites de uma simples palestra corporativa ou de gestão agrícola. Foi, em essência, um verdadeiro abraço na alma cansada daqueles que, todos os dias do ano, enfrentam uma pressão inimaginável para produzir alimentos com excelência. Ele relembrou a cada homem e mulher presentes no evento que o “Brasil real“, aquele país verdadeiramente justo e sonhado por quem planta a semente e colhe o futuro, precisa ser imperativamente comunicado com inteligência, estratégia e precisão. Esse Brasil “de fato tem que ser vendido de maneira mais inteligente e adequada, tanto dentro quanto fora do país“.

Proteger a mente e o coração dos líderes do agro não é, portanto, apenas uma questão de bem-estar individual ou clínico, mas sim a garantia definitiva de que o motor vigoroso que sustenta a economia e a mesa deste país continuará operando com força e saúde. Afinal, como o próprio psiquiatra encerrou tão belamente em seu voto de confiança e esperança aos agricultores: essa valorização e esse cuidado extremo com a saúde mental são necessários e urgentes simplesmente “porque vocês merecem, porque nós merecemos“, finaliza Cury.

A grandiosa lição deixada nesse dia evidencia que, muito antes de prepararmos o solo e cultivarmos a nossa terra abençoada, precisamos, com a mesmíssima dedicação, humanidade e amor incondicional, cultivar e proteger as mentes e as vidas daqueles que a semeiam.

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