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Piscicultura: pesquisa desenvolve material de referência para fábricas de ração destinada a tilápia

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piscicultura

Laboratórios de fábricas de ração para peixes estão adotando como padrão o material de referência desenvolvido por pesquisadores da Embrapa na análise de nutrientes e controle da qualidade do produto destinado à alimentação de tilápias

A tecnologia permite resultados analíticos seguros, evita prejuízos aos produtores e reduz custos no processo.

O químico Aparecido Matsuda, responsável pelos laboratórios da fábrica de rações Matsuda, atesta a aceitação da tecnologia pelo mercado. “Quando um cliente vem visitar nossa fábrica e questiona nossas análises da ração, mostramos a eles que utilizamos o material de referência da Embrapa. É um diferencial.”

Materiais de referência são produtos que contribuem para a segurança dos resultados de análise laboratorial feita por fábricas de ração e serviços de controle de qualidade. São empregados na calibração de equipamentos de laboratório, avaliação de métodos analíticos, treinamento, acompanhamento e avaliação de operadores e no controle interno de qualidade e avaliação da qualidade externa dos resultados de análises laboratoriais.

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“Eles têm importância para o setor produtivo por contribuir com a geração de resultados analíticos confiáveis no controle da qualidade de rações”, explica a pesquisadora Ana Rita Nogueira, da Embrapa Pecuária Sudeste (SP), responsável pelo desenvolvimento do material.

A Matsuda produz rações para peixes em três unidades do Brasil: Cuiabá (MT), Fortaleza (CE) e São Sebastião do Paraíso (MG). A matriz da empresa fica em Álvares Machado, no interior de São Paulo. “Nós utilizamos muito esse material da Embrapa em nossos laboratórios porque ele dá mais confiabilidade às nossas amostras. Antes não havia esse material de referência e os resultados ficavam sem esse padrão. O mercado reconhece e valoriza esse diferencial”, afirma Matsuda.

Normas internacionais

Ana Rita explica que a pesquisa gerou o material de referência de nutrientes em ração, a ser usado como padrão de análises em diferentes laboratórios de controle de qualidade e de alimentação animal, seguindo normas internacionais. Inicialmente cerca de 65 quilos de amostra de ração comercial foram fornecidos pela própria Matsuda para a pesquisa. As amostras tinham como característica principal a constituição típica daquelas comercializadas aos produtores, com aproximadamente 32% de proteína bruta.

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De acordo com Ana Rita, todos os valores foram avaliados com programas estatísticos. Os resultados geraram uma carta com os valores previstos e suas incertezas associadas. O material de referência produzido foi disponibilizado no site da Embrapa e enviado gratuitamente aos laboratórios interessados.

“As amostras estão sendo empregadas no treinamento de técnicos dos laboratórios, na calibração de equipamentos, na construção de cartas-controle (para verificar se os resultados emitidos estão certos) e na verificação dos resultados de rotina.”

https://agronewsbrasil.com.br/965-dos-peixes-de-cultivo-produzidos-no-estado-do-parana-sao-tilapia/

O uso do material de referência possibilita a diminuição de retrabalho, pois é possível verificar problemas pontuais e corrigi-los antes de fornecer um resultado errado aos clientes, o que poderia causar grandes prejuízos aos produtores de ração e à nutrição de peixes.

BRS Aqua

A pesquisa que deu origem ao material de referência faz parte do projeto “Ações estruturantes e inovação para o fortalecimento das cadeias produtivas da aquicultura no Brasil”, mais conhecido como “BRS Aqua”. É o maior projeto de pesquisa em aquicultura já desenvolvido no País. A iniciativa reúne mais de 20 Unidades da Embrapa e cerca de 270 empregados da instituição de pesquisa. O financiamento é do Fundo Tecnológico do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES/Funtec), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) – dinheiro que está sendo executado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – e da própria Empresa.

Esse projeto tem caráter estruturante e de capacitação de recursos humanos especializados (bolsistas e estagiários). Propõe desenvolver resultados tecnológicos que deverão contribuir com avanços em diferentes áreas de conhecimento em aquicultura. Saiba mais sobre essa iniciativa.

‘Padrão ouro’

Levantamento feito em março de 2020 pela Embrapa Pecuária Sudeste procurou verificar como os laboratórios estão utilizando o material de referência de ração para peixes em suas análises. As respostas indicaram uso para o controle de qualidade em seus laboratórios, tanto na calibração de instrumentos quanto para diagnosticar problemas com os métodos utilizados. Esse seria o primeiro passo para que a indústria do pescado pudesse se beneficiar do material.

O material de referência foi desenvolvido pela Embrapa a partir de amostra de ração comercial que é direcionada à alimentação de peixes produzidos em cativeiro. Ele contém quantidades conhecidas de nutrientes e ajuda os laboratórios a fornecerem dados confiáveis, como os valores de proteína, fibras e minerais.

De acordo com a pesquisadora Ana Rita Nogueira, a maioria dos laboratórios que respondeu à sondagem está localizada em indústrias de ração ou presta serviços para diversos segmentos, incluindo as fábricas do alimento para peixe e usuários.

“Considerando que os laboratórios que realizam a avaliação da qualidade das rações têm um balizador, o tal ‘padrão ouro’, para saber se os seus resultados estão corretos, os produtores têm à disposição rações com a qualidade comprovada por resultados confiáveis”, justifica.

Os laboratórios que responderam ao questionário indicaram o controle interno da qualidade como o principal uso do material. Outro emprego bastante frequente é na avaliação de métodos. Segundo a pesquisadora da Embrapa, isso significa que é possível saber se uma alteração feita no método de análise é adequada e segue gerando resultados confiáveis.

Tecido de peixe 

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Foto: Ana Maio (Pesquisadora Ana Rita Nogueira, à direita, e a então doutoranda Mayumi Kawamoto)

A pesquisa que resultou na criação do material de referência para ração de peixe também desenvolveu material de referência para laboratórios utilizarem na análise de tecido de peixe. O estudo foi tema da tese de doutorado em química analítica de Mayumi Silva Kawamoto, defendida na Universidade de São Paulo (USP). Ela foi orientada pela pesquisadora Ana Rita.

Tanto a ração quanto o tecido de peixe foram fornecidos por produtores comerciais, graças a uma intermediação da Associação Brasileira de Piscicultura (PeixeBR). Ana Rita explica que o trabalho não envolve a identificação de resíduos de medicamentos nos peixes – essa ação exigiria outro processo, que já vem sendo conduzido por outro centro de pesquisa da Embrapa.

Custo e independência são vantagens para laboratórios

Antes de a Embrapa desenvolver e disponibilizar o material de referência para rações de peixe, alguns laboratórios brasileiros tinham que importá-lo de outros países, o que encarecia a prestação de serviços e não garantia a matriz dentro da realidade do País. Com a entrega ao setor desse material, os laboratórios nacionais conseguiram reduzir o custo.

“Ficamos muito contentes com os resultados do trabalho realizado pela Embrapa. A meu ver, ele servirá como o início de uma independência na aquisição de materiais”, diz Oneida Vasconcelos Vieira, diretora-técnica e comercial do laboratório C.B.O. Análises Laboratoriais, sediado em Valinhos (SP).

Segundo Oneida, o laboratório C.B.O. sempre adquiriu material de referência internacional, mas o custo é muito alto e nem sempre a matriz é adequada. “Com esse material, tivemos um ganho bastante grande. Por se tratar de um material com analitos (elementos que são analisados) de interesse na área de alimentação animal, temos a vantagem da utilização para a garantia da qualidade, visto que, nele, se encontram as substâncias numa mesma amostra.”

A diretora conta que começou a utilizar o material de referência de ração de peixe no fim de 2019. “Nosso interesse na utilização desse material se deu em função do trabalho sério desenvolvido pela Embrapa nos ensaios colaborativos realizados por vários laboratórios conceituados, dos quais também fizemos parte. E além dos analitos de interesse, outros que não encontramos disponibilidade no mercado numa matriz equivalente foram analisados”, afirma.

Segundo ela, o C.B.O. tem vários clientes que produzem ração, dos quais alguns deles que têm laboratório se interessariam pelo material. “Aqueles que não têm laboratório próprio ficam bem confortáveis pela prestação de serviço da C.B.O. sabendo da utilização desse material de referência”, conclui.

Por Ana Maio – Embrapa

AGRONEWS – Informação para quem produz

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Brasil desenvolve sua 1ª soja com tecnologias para manejo de percevejo e ferrugem

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soja

Pesquisadores brasileiros desenvolveram a 1ª cultivar de soja do País com as tecnologias Block e Shield embarcadas, ou seja, possui resistência à ferrugem asiática da leguminosa – a mais severa doença dessa cultura – e tolerância ao percevejo, considerado uma das principais pragas do setor. A nova soja BRS 539 está disponível para que os produtores utilizem na safra 2021/2022

Desenvolvida em parceria entre a Embrapa e a Fundação Meridional, a BRS 539 é uma soja convencional que agrega a tecnologia Shield, linha de cultivares de soja que apresentam genes de resistência à ferrugem-asiática, oferecendo uma proteção extra para o produtor. A tecnologia não dispensa o uso de fungicidas, mas proporciona maior segurança no manejo da ferrugem da soja. “A cultivar Shield é uma ferramenta genética importante no contexto do manejo integrado. Essa tecnologia proporciona maior eficiência e segurança ao manejo químico da doença”, explica o pesquisador da Embrapa Soja Carlos Lásaro Pereira de Melo.

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Outro diferencial é que a BRS 539 é do portfólio da tecnologia Block, presente apenas nas cultivares Embrapa. “As cultivares BRS com essa genética ampliam a proteção da lavoura ao ataque dos percevejos que sugam as vagens e os grãos de soja, provocando perdas de qualidade e produtividade. Apesar de não dispensarem o uso de inseticidas, as cultivares Block permitem melhor convivência com os insetos no campo”, explica Melo.

Características

Além de aliar as tecnologias Shield e Block, a cultivar apresenta alto potencial produtivo e manutenção de estabilidade de produção. Em testes experimentais realizados por três safras, em diferentes ambientes de produção das macrorregiões sojícolas (1 e 2), a BRS 539 mostrou altas produtividades. “Inclusive apresentou, em alguns desses ambientes, potencial produtivo acima de 90 sacas/ha (ou 5.400 kg/ha), superando as cultivares mais produtivas do mercado com as quais foi comparada”, relata Melo. Na safra 2019/2020, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a média de produtividade da soja brasileira foi de 3.379 kg/ha.

Características da cultivar de soja BRS 539 – Tecnologia Shield e Tecnologia Block

O pesquisador Rafael Petek reforça ainda que essa cultivar é convencional (não transgênica) e pertence ao grupo de maturidade 6.1. “É uma cultivar precoce, que permite semeadura antecipada, viabilizando plantio do milho safrinha na melhor época, nas regiões de indicação da cultivar na macrorregião sojícola 2 (Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul) e viabiliza a sucessão/rotação com culturas de inverno na macrorregião 1 (Paraná, Santa Catarina e São Paulo)”, detalha Petek ressaltando que a cultivar, além da ferrugem, também é resistente a outras doenças da soja como: cancro da haste, mancha “olho-de-rã”, podridão parda da haste, podridão radicular de Phytophthora e moderadamente resistente ao oídio e ao nematoide-das-galhas (Meloidogyne javanica).

Interessante à produção orgânica

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A BRS 539 pode atrair o interesse dos produtores de soja em sistema orgânico, porque além de ser não transgênica, as características desse lançamento facilitam o manejo fitossanitário de pragas e doenças, portanto, podem reduzir o uso de químicos. “Dessa forma, entendemos que a BRS 539 pode viabilizar o cultivo do grão orgânico e ainda agregar mais rentabilidade ao produtor de soja orgânica”, destaca Melo.

Por ser uma cultivar convencional, a BRS 539 pode ser comercializada por trades brasileiras e internacionais para diferentes nichos de mercado que demandam soja não transgênica. A Integrada Cooperativa Agroindustrial, presente há 25 anos em 50 municípios do Paraná e de São Paulo, conta com cerca de 11 mil cooperados e é um dos exemplos que mantém um programa de bonificação para a soja convencional. Em 2020, a Cooperativa gerou 1,3 milhão de sacas de soja convencional, o que representa entre 5% e 6% do total de recebimento e pagou R$ 6,00 a mais por saca recebida. “Esse é um programa que existe há mais de 20 anos na cooperativa, de extrema importância para a Integrada porque cria fidelização e gera valor ao cooperado”, explica o gerente comercial da Integrada, Alcir Antônio Chiari.

Parceria

De acordo com Ralf Udo Dengler, gerente-executivo da Fundação Meridional, esse é um dos lançamentos que traz inovações tecnológicas. “Tanta inovação só é possível devido à expertise da equipe técnica e à variabilidade genética do Banco Ativo de Germoplasma, localizado na sede da Embrapa Soja, em Londrina”, ressalta Dengler. “Há 21 anos, temos muito orgulho de sermos parceiros fortes e atuantes nesse trabalho, que oferece aos produtores um portfólio completo de cultivares em todas as plataformas (convencional, RR e Intacta), com elevado rendimento (conceito TOP 5000), sanidade, estabilidade e adaptação às mais diferentes condições de solo e clima”, declara o executivo. A Fundação Meridional atua em sete estados brasileiros (SC, PR, SP, MS, MG, GO e MT), por intermédio de 38 produtores de sementes.

Desempenho a campo

Produtores que usaram as sementes da BRS 539 em testes de avaliação comprovaram a alta performance dessa cultivar. A Sinovatec Produtos Agrícolas, de Medianeira (PR), por exemplo, avaliou 11 cultivares e a BRS 539 foi a campeã desse ensaio, indicando a relevância das tecnologias Shield e Block presentes na cultivar. Além de apresentar o rendimento mais elevado, de 78 sacas/ha, não houve necessidade de aplicação de fungicida e nem de inseticida, o que mostra o elevado potencial de sanidade da nova cultivar. Além de produzir mais, também impacta no custo de produção, porque reduz os gastos com produtos químicos.

A nova cultivar também apresentou seu excelente desempenho na propriedade do produtor Fabio Von Gaevernitz Tanja, de Cambira (PR), nesta safra 2020/21. Tanja semeou a BRS 539 em um hectare da propriedade para avaliar seu desempenho e o resultado foi surpreendente, com rendimento de 85 sacas/ha.

Por Lebna Landgraf – Embrapa Soja

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Embrapa aposta na descarbonização da produção de leite

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A descarbonização da agricultura brasileira está no radar da Embrapa já há alguns anos com o desenvolvimento de pesquisas e tecnologias que reduzem a emissão de gases de efeito estufa e aumentam o sequestro de carbono na produção agropecuária

O assunto foi tratado pelo presidente da Empresa, Celso Moretti, durante coletiva de imprensa realizada no dia 27 de abril por ocasião das comemorações dos 48 anos da Embrapa. Um dos exemplos de destaque mais recentes nessa linha é o projeto realizado em parceria com a Nestlé, anunciado em março deste ano. “Vem por aí o leite de baixo carbono. (…) Nós estamos estudando indicadores de sustentabilidade e a implementação de boas práticas de produção que vão integrar um protocolo nacional pioneiro para essa produção”, afirmou.

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A adoção de tecnologias e boas práticas, como sistemas de integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), recuperação de pastagens degradadas e uso de aditivos na nutrição, é capaz de compensar as emissões de gases de efeito estufa geradas pela atividade leiteira e ainda pode tornar o sistema de produção mais resiliente, trazendo vantagens econômicas para o produtor.

Com a parceria, serão elaborados protocolos por bioma e por sistema de produção pela Embrapa Pecuária Sudeste (SP), que servirão de base para uma calculadora de balanço dos gases de efeito estufa (GEE) e um sistema digital de monitoramento por meio de aplicativo. A calculadora, que será desenvolvida pela Embrapa Informática Agropecuária (SP), vai contabilizar o balanço de carbono nas propriedades de acordo com as características de cada região ou bioma e dos diferentes sistemas de produção, e vai permitir aos produtores compreender melhor onde estão concentradas suas emissões, contribuindo para uma tomada de decisão mais assertiva para reduzi-las.

“Nós entendemos que isso vai possibilitar que o produtor seja remunerado pela empresa ao demonstrar que está fazendo um leite de baixo carbono. Isso vai melhorar a competitividade do produtor de leite no Brasil”, ressalta Moretti. Ainda, segundo ele, os dados e inovações que serão obtidos nessa parceria serão abertos para todos os produtores de leite ou qualquer empresa ou cooperativa no Brasil.

A iniciativa está alinhada com as políticas públicas do setor para redução das emissões de gases de efeito estufa, como o Plano Nacional de Adaptação e Mitigação de Gases de Efeito Estufa na Agropecuária (ABC+ 2020-2030) apresentado em 20 de abril pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), uma atualização do Plano ABC executado de 2010 a 2020. Além do leite de baixo carbono, a Embrapa também lançou neste ano o programa soja baixo carbono e está iniciando estudos voltados para a produção de algodão e café.

Parceria leite de baixo carbono

A Nestlé tem o objetivo de neutralizar todas as emissões de suas operações, incluindo as cadeias de fornecimento, até 2050, com metas intermediárias de redução de 20% até 2025 e de 50% para 2030. E os protocolos desenvolvidos pela Embrapa vão auxiliar as propriedades que fornecem leite à empresa a reduzirem as emissões de GEE por meio da implementação de boas práticas de produção.

Os indicadores utilizados no protocolo serão validados em escala experimental na Embrapa Pecuária Sudeste e em escala comercial nas propriedades leiteiras em diferentes regiões do país.

https://agronews.tv.br/saiba-como-calcular-arroba-do-boi-corretamente/

A Embrapa Informática Agropecuária será responsável pela adaptação de modelos matemáticos e métricas que, por meio de um componente de software, serão integrados à calculadora que vai contabilizar o balanço de carbono nessas fazendas.

Serão realizadas capacitações de técnicos e produtores. Também está prevista a publicação de um guia de boas práticas para pecuária de leite de baixo carbono.

A adoção dos protocolos deverá ter impacto positivo nas metas de descarbonização da economia do país, com a oferta de práticas mitigadoras aos produtores e, dessa forma, de leite mais sustentável para a população.

Por Gisele Rosso – Embrapa Pecuária Sudeste

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Especialistas

Veja 7 dicas sobre cria e recria de bezerras e novilhas

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1 – Quando devemos iniciar os cuidados com os bezerros?

Os cuidados com o bezerro devem começar ainda na fase de gestação. A fase de maior crescimento do feto se dá nos últimos 3 meses de gestação. Assim, a vaca gestante e em lactação deve ser seca 60 dias antes da data prevista para o parto, para a recuperação da glândula mamária e a produção de colostro. A influência da alimentação pré-natal é crítica, tanto para o crescimento normal do feto quanto para a sobrevivência do bezerro durante as primeiras semanas de vida. No que se refere ao aspecto nutricional, as deficiências de energia, minerais e vitaminas são consideradas as mais importantes.

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O teor de proteína da dieta (volumoso mais concentrado) da vaca nesse período não deve ser inferior a 14% na base da matéria seca (MS). Mas deve-se evitar que a vaca esteja muito gorda pois há riscos de problemas no parto.

Assim, de 20 a 30 dias antes do parto, as vacas devem ser conduzidas ao pasto ou ao piquete maternidade, que deve estar seco, limpo e localizado próximo às instalações principais, para
permitir alimentação diferenciada, observações frequentes e assistência, caso ocorra algum problema por ocasião do parto.

A recomendação geral é:

  • Durante os primeiros 6 meses de gestação, vacas gordas podem perder peso, vacas em bom estado corporal devem manter o peso e vacas magras devem ganhar peso;
  • Durante o último terço da gestação, todas as vacas devem ganhar em torno de 600 g a 800 g por dia, mesmo que seja necessário fornecer-lhes alimentação suplementar ao volumoso;
  • Caso não se tenha uma balança para aferir o ganho de peso, pode-se fazer uma avaliação visual das condições corporais das vacas.

2 – Quais os principais cuidados que se deve tomar com os bezerros recém-nascidos?

Bezerro recém nascido
Veja 7 dicas sobre cria e recria de bezerras e novilhas

Logo após o nascimento, inspeciona-se o bezerro e, se necessário, removem-se as membranas fetais e os mucos do nariz e da boca. A vaca costuma lamber o bezerro, ajudando a secar o pelo e estimulando a circulação e a respiração. Em dias chuvosos, recolhe-se o bezerro para local coberto e limpo, secando-o com um pano.

Deve-se induzir o bezerro a mamar o colostro o mais rápido possível após o nascimento, ou, então, fornecer-lhe um mínimo de 2 kg de colostro da primeira ordenha após o parto, durante as primeiras 6 horas de vida. A absorção das imunoglobulinas do colostro pelo intestino do bezerro é mais eficiente nas primeiras 24 horas, caindo acentuadamente a partir das 36 horas. Assim, quanto mais colostro o bezerro ingerir nesse período, melhor.

Ainda nas primeiras horas após o parto, deve-se cortar o umbigo a mais ou menos dois dedos da inserção. Normalmente, não é necessário amarrar o cordão umbilical, exceto em casos de hemorragia mais intensa. A desinfecção é feita mergulhando o cordão umbilical em um vidro de boca larga com tintura de iodo. Esse tratamento deve ser repetido por 3 ou 4 dias.

A identificação do bezerro, com brincos e/ou tatuagem, deve ser feita no dia do nascimento. Outros cuidados como descorna, marcação e remoção de tetos extras, devem ser providenciados durante o primeiro mês de vida dos animais.

3 – Como se explica o nascimento de bezerros fracos e pequenos?

As causas do nascimento de bezerros fracos e pequenos são várias, a principal é a subnutrição da vaca gestante. Vacas prenhes, principalmente nos 3 últimos meses de gestação, devem receber alimentação suficiente para assegurar o desenvolvimento normal do feto.

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Vacas gestantes e magras devem iniciar um reforço na dieta 90 dias antes do parto, na base de 2 kg a 3 kg de ração concentrada com 20% de proteína bruta (PB) e acima de 70% de nutrientes digestíveis totais (NDT), além de um bom volumoso à vontade, de modo a garantir uma dieta com pelo menos 14% de PB. Deve-se fornecer também mistura mineral de boa qualidade.

4 – Qual o melhor manejo de bezerros recém-nascidos a fim de evitar a proliferação de doenças?

O mais indicado é criar os bezerros em abrigos individuais nos primeiros 2 meses após o parto, pois essa é a fase mais crítica de sua vida. Deve-se ainda separar o bezerro da vaca nas primeiras 12 horas; fornecer colostro nos primeiros dias de vida; e fornecer 2 L de leite pela manhã e 2 L à tarde, por 15 a 20 dias. Depois, pode-se fornecer apenas 4 L de leite pela manhã, para forçar o bezerro a comer ração concentrada.

A partir da segunda semana, fornecer ração concentrada peletizada, adocicada, própria para bezerros. Aos 60 dias, trocar a ração peletizada por ração farelada. Quando os bezerros estiverem consumindo cerca de 800 g de concentrado/dia, eles já poderão ser desmamados.

Se se adotar bezerreiros, deve-se evitar a convivência de bezerros de idades diferentes, no mesmo lote. Com isso, previne-se a transmissão de agentes de doenças e evita-se a competição entre os animais no momento da alimentação, o que prejudica os bezerros mais jovens. O bezerreiro deve ser mantido limpo e os utensílios (baldes ou mamadeiras), lavados diariamente, após o fornecimento. A instalação tem que proteger os bezerros contra os ventos fortes e a alta umidade. O uso de cama pode trazer mais conforto aos animais, mas as partes sujas devem ser trocadas diariamente.

5 – Qual a melhor maneira de criar o bezerro: ao pé da mãe ou apartado dela?

Bezerro com a mãe
Veja 7 dicas sobre cria e recria de bezerras e novilhas

A escolha de um ou outro sistema depende do produtor. Se houver estrutura (instalações, utensílios, pessoal, etc.) para garantir boas condições de alimentação, manejo e higiene, o sistema de apartar o bezerro ao nascimento pode ser adotado com sucesso. Para isso, é fundamental que as vacas “desçam o leite” sem a presença da cria. Caso contrário, é preferível adotar o aleitamento natural controlado, que consiste em deixar um teto para o bezerro durante os primeiros 56 dias.

6 – É correto deixar para o bezerro apenas a “rapa de leite dos quatro tetos” (leite residual após a ordenha)?

Esse manejo pode ser adotado, mas é importante verificar se o bezerro está mamando a quantidade de leite suficiente para seu desenvolvimento normal, principalmente nas 2 primeiras semanas de idade. Outro manejo possível é deixar para o bezerro, após a fase de colostro, um teto em rodízio e, a partir de 56 dias, deixá-lo “rapar” o leite residual dos quatro tetos.

Em vacas mestiças Holandês x Zebu, com produção média de 3 mil litros, em 305 dias de lactação, há dados mostrando que os bezerros conseguem mamar, em média, 4 kg de leite/dia no primeiro mês, e 2 kg de leite/dia no segundo mês de vida, quando submetidos a esse manejo.

7 – Quais as vantagens do aleitamento natural? Quais as vantagens do aleitamento artificial?

No aleitamento natural, a ocorrência de distúrbios gastrointestinais diminui porque os bezerros obtêm o leite diretamente do teto (leite mais limpo). Reduz-se a mão de obra e os equipamentos necessários (baldes, biberões ou mamadeiras).

É importante ressaltar que algumas vacas mestiças e de raças zebuínas, principalmente, exigem a presença do bezerro para a “descida do leite”. Assim, nesses rebanhos, a ausência do bezerro
no momento da ordenha pode resultar na “secagem” antecipada da vaca, no encurtamento da lactação, ou mesmo, em menor produção de leite.

Há evidências de que vacas mestiças, com potencial de 3.500 kg de leite/lactação, produzem 10% a mais de leite comercializável com o bezerro ao pé, que aquelas cujos bezerros foram apartados ao nascer. Atualmente, já existem sistemas de ordenha mecânica adaptados para a presença do bezerro.

As vantagens do aleitamento artificial são o controle da quantidade de leite fornecida, bem como ordenhas mais higiênicas e mais rápidas.

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Por Oriel Fajardo de Campos, Rosane Scatamburlo Lizieire, Fermino Deresz, José Henrique Bruschi, Milton de Souza Dayrell, João Eustáquio C. de Miranda – Embrapa Gado de Leite

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