Saúde do solo e sequestro de carbono, o que tem a ver?

Vamos falar sobre a Saúde do solo e sequestro de carbono, o que tem a ver?

Como a fixação de carbono está ligada diretamente com o aumento do teor da matéria orgânica através de boas práticas agrícolas no solo? E como essa prática está ligada diretamente ao dia a dia do produtor rural e ao aumento da produtividade na lavoura? Como o patinho feito do meio ambiente vai se tornar a solução? Eu começo com muitas perguntas, muitos questionamentos que serão respondidos e desconstruídos ao longo do texto.

Saúde do solo e sequestro de carbono, o que tem a ver?

De acordo com os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de soja no Brasil cresceu aproximadamente 64% nos últimos 40 anos. Isso ocorreu com o implemento de várias tecnologias de forma paralela no agronegócio, tais como fertilizantes, defensivos, novas variedades, biotecnologia, máquinas mais eficientes, melhor manejo geral da fazenda, entre outras. Neste cenário, estamos com uma situação complicada. Temos uma demanda crescente de alimentos e produtos de origem vegetal como o algodão, porém o investimento direto em insumos como os adubos, não tem aumentando a produtividade de forma rentável.

Saúde do solo e sequestro de carbono, o que tem a ver?

Veja esse exemplo: a média nacional de soja esperada para safra 2022/2023 é de 3.551kg/ha de acordo com a Conab, mas porque alguns conseguem chegar a mais de 7.000kg/ha? Um dos segredos para aumentar a produtividade sem aumento de custos de forma inviável está na saúde do solo que está diretamente ligada a agricultura regenerativa, vou te explicar melhor isso tudo.

De acordo com a circular técnica número 38 da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) do Distrito Federal, “O conceito de saúde ou de qualidade do solo está relacionado à sua capacidade de funcionar para fornecer importantes serviços ambientais, entre os quais: manter a capacidade de produção biológica (produção de grãos, carne, madeira, agroenergia, fibras, etc), promover a saúde das pessoas, plantas e animais (solos saudáveis, ambientes saudáveis) e também de preservar a qualidade ambiental (armazenando e filtrando água, sequestrando carbono, etc)”. Até a década de 80, a pesquisa ficou na parte química e física do solo, que é a base da produção vegetal.

Porém, 1980 começa a se falar em saúde do solo, uma vez que se nota uma grande importância dos microrganismos em uma característica importante do solo que é a CTC (Capacidade de troca Catiônica) que nada mais é que a eficiência do solo em receber um fertilizante e passar ele para a planta. Ou a capacidade dos solos de nutrir a planta, isso mesmo, o fertilizante depois de aplicado, passa por processos químicos e biológicos até ser absorvido pela planta. Se eu conseguir aumentar minha CTC, eu consigo produzir mais com o mesmo custo de adubação e quem sabe até diminuir o custo. E o que a CTC tem a ver com Agricultura Regenerativa e Saúde do Solo.

A melhor forma de aumentar a CTC do solo é aumentar o teor da matéria orgânica através de boas práticas agrícolas, com isso o produtor está fixando carbono da atmosfera e deixando esse carbono no solo, se eu tenho um aumento de matéria orgânica, automaticamente aumenta minha máquina biológica do solo e aumenta minha produtividade. Para você ter ideia da quantidade de microrganismos no solo, um único grama de solo possui cerca de um bilhão de bactérias, um milhão de actinomicetos e 100 mil fungos.

Assim sendo, hoje o produtor rural tem capacidade de através da adoção de boas práticas agrícolas, melhorar a saúde do solo, que vai acontecer com a retirada de carbono do nosso ar e aumentar sua produtividade com menor custo, trazendo um lucro na linha final da conta.

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Por Gustavo Avelar – engenheiro agrônomo em Mato Grosso e atua com foco na gestão e certificação de propriedades em agricultura regenerativa

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