O setor agropecuário brasileiro atravessa um período de expansão e ajustes, refletindo um cenário marcado tanto pelo crescimento da produção quanto pelos desafios estruturais e climáticos. A edição de julho de 2025 do Panorama do Agro divulgada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) oferece uma visão abrangente desse contexto, revelando indicadores positivos no Valor Bruto da Produção (VBP), além de oscilações nos mercados de insumos, grãos, carnes, frutas e bioenergia.
Crescimento do VBP e desempenho setorial
O VBP da agropecuária brasileira deve alcançar R$ 1,48 trilhão em 2025, o que representa um crescimento expressivo de 11,7% em relação a 2024. O avanço é puxado principalmente pela agricultura, com destaque para o milho (+34,1%), soja (+10,6%) e café arábica e robusta, que devem registrar valorizações de 58,6% e 74,9%, respectivamente. Por outro lado, a cana-de-açúcar apresenta retração de 3,2%.
Na pecuária, o VBP também registra crescimento (11,66%), com a carne bovina e os ovos liderando o desempenho, seguidos por carne suína e de frango. O leite, contudo, cresce timidamente (+2,4%), evidenciando desafios no setor, como aumento de custos e margens reduzidas.
Insumos, custos e relações de troca
O mercado de fertilizantes permanece pressionado, com preços elevados para nitrogenados, fosfatados e potássicos. Embora tenham aumentado as importações, a relação de troca entre insumos e produtos finais permanece desfavorável, exigindo cautela na gestão financeira das propriedades.
A valorização da reposição bovina deteriorou a relação de troca para recriadores, que enfrentam aumento nos preços do bezerro acima da valorização do boi gordo. Essa conjuntura pressiona as margens de engorda e exige maior planejamento estratégico dos pecuaristas.
Dinâmicas dos grãos e hortifrúti

A colheita da segunda safra de milho alcançou 56% da área plantada, com destaque para o bom desempenho em Mato Grosso e no Maranhão. A soja apresenta preços firmes, sustentados por demanda da indústria de esmagamento e compras da China. O feijão carioca também registra alta devido à escassez.
Frutas e hortaliças exibem forte variação de preços, influenciada pelo clima e pela oferta regional. Enquanto mamão e limão registraram altas, batata e cebola caíram significativamente devido à maior disponibilidade no mercado.
Carnes, leite e ovos: flutuações e perspectivas

O mercado da carne bovina segue pressionado, com queda de 7,2% no preço do boi gordo em julho, impulsionada por escalas de abate alongadas e incertezas nas exportações. A carne suína e de frango também apresentaram retração, refletindo menor demanda e aumento da concorrência. No setor de ovos, a expectativa é de recuperação com o início de agosto.




