Trigo com semeadura em solo encharcado favorece o mosaico

O grande volume de chuva no começo de junho atrasou a semeadura dos cultivos de inverno no Rio Grande do Sul

 

O encharcamento do solo, além de dificultar a entrada das máquinas na lavoura, também aumenta o risco de incidência do mosaico comum do trigo.

O clima frio e úmido encontrado nos estados do Sul do Brasil torna o mosaico um velho conhecido do produtor, uma doença que depende de água livre no solo para que o vetor do vírus possa alcançar o sistema radicular das plantas. Geralmente, o mosaico é verificado em áreas com histórico da doença – glebas mal drenadas e com aguadouros – já que tanto o vetor quanto o vírus podem permanecer no solo por longo tempo. De acordo com o pesquisador da Embrapa Trigo, Douglas Lau, o longo período de sobrevivência do vetor do vírus no solo torna práticas como a rotação de culturas pouco eficientes: “Em experimentos de pesquisa mesmo deixando o solo em repouso por cinco anos, quando voltamos a semear cultivares suscetíveis naquela área, sob condições de ambiente favorável, o mosaico voltou a ocorrer”, conta o pesquisador da Embrapa Trigo Douglas Lau.

O encharcamento do solo associado ao clima frio, que dificulta a evaporação rápida da água, forma o ambiente perfeito para o mosaico. A previsão de chuvas, após a semeadura ter sido realizada em solo úmido, também aumenta o risco de ocorrência da doença em áreas com histórico de mosaico.

O levantamento de dados dos últimos cinco anos, registra que os maiores danos por mosaico estão associados a precipitações próximas a 200 mm no mês de semeadura. “A fase mais crítica é nos dias subsequentes à semeadura, quando a infecção precoce tem potencial de causar mais danos a planta, afetando o desenvolvimento dos tecidos em formação”, explica Douglas Lau. Os danos podem chegar a 50% de redução no rendimento de grãos em cultivares suscetíveis, comprometendo a formação das espigas em culturas como trigo e triticale.

Sintomas

Os sintomas do mosaico começam a aparecer cerca de um mês após a infecção e se expressam até o final do ciclo da planta. A principal característica da doença é a alternância entre tecidos sadios e afetados, formando listras verdes e amarelas nas folhas. Plantas de trigo também apresentam retardo no crescimento.

A distribuição de plantas doentes no campo normalmente ocorre em manchas ou reboleiras, em locais onde a drenagem do solo não é boa. Porém, em anos com ambiente mais favorável, o mosaico pode infectar toda a lavoura. A disseminação do vetor ocorre a longo prazo, por meio de máquinas que trafegam entre áreas contaminadas e áreas, até então, livres de mosaico.

Controle

Estratégias de controle químico e práticas culturais ainda precisam ser melhor exploradas para aumentar a eficiência. Atualmente, a recomendação mais segura ao produtor é o investimento em cultivares resistentes ao mosaico. A pesquisa já identificou um grande número de cultivares que respondem bem a presença do vírus. Os resultados dos experimentos com as cultivares mais plantadas ou novos lançamentos para o Rio Grande do Sul são publicados anualmente no documento “Reação de cultivares de trigo ao mosaico comum”, disponível no site da Embrapa.

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