Recorde de público e otimismo do produtor rural em meio a desafios provam que a tecnologia e a visão de longo prazo ditam o futuro do campo.
O campo, a gente sabe, é terra de resiliência. É onde o sol castiga, a chuva abençoa (ou castiga também, dependendo da dose) e o preço da saca te faz repensar a vida inteira. Pois é nesse cenário, de incertezas e trabalho duro, que o Show Rural Coopavel, em Cascavel, no Paraná, escreveu uma página e tanto na sua história. No meio de uma semana antes mesmo do término da feira, mais de 115 mil pessoas cruzaram os portões do parque em um único dia. Um recorde que não é só número; é um grito do produtor rural paranaense: “A gente acredita no futuro, e estamos investindo pesado!“, revela Dilvo Grolli – presidente da Coopavel.
O que esperar das margens agropecuárias nesta temporada

Essa multidão que tomou conta dos corredores da feira tem um recado claro. O presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, que o diga. Em entrevista ao Agronews, ele não conseguiu esconder a satisfação, mas confessou que a resposta do público foi uma surpresa e tanto. Afinal, não é todo dia que a gente vê um otimismo desses, especialmente com a pressão nos preços das commodities dando as caras.
“Esse evento realmente superou todas as nossas expectativas. Se nós olharmos aí, nós tínhamos algumas dúvidas, porque nós tínhamos um momento de pressão de preço nos grãos, né? E esse mês de janeiro também começou pressão dos preços na nas carnes… mas o público nessa feira superou todos as nossas expectativas“, disse Grolli, com a voz embargada pela emoção de quem vê o trabalho dar frutos.
Essa fala do Grolli escancara a realidade que bate à porteira de muitas fazendas: a rentabilidade anda apertada. Quando o preço dos grãos e das carnes sente o baque, o custo de produção, que inclui ração, insumos e tudo mais, começa a pesar no bolso do produtor. E é justamente nesse ponto que a feira mostra a que veio. Ela não é só um lugar de ver trator novo; é um espaço onde se busca a saída, a tecnologia que vai fazer a diferença entre fechar no azul ou no vermelho.
Tecnologia: a resposta para crescer sem abrir novas terras
O produtor do Sul do Brasil, e o paranaense em particular, já entendeu qual é a jogada. Não tem mais terra para abrir, não tem para onde expandir a fazenda no sentido horizontal. A solução, então, é crescer para cima, aumentar a produtividade no mesmo pedaço de chão. E é aí que a tecnologia entra rasgando, fazendo a diferença.

Nesse sentido Grolli é taxativo: “O produtor rural nos deu mais um recado que ele precisa de tecnologias e que o Paraná… não tem para onde crescer porque não tem novas fronteiras agrícolas… temos que continuar crescendo em produtividade com o mesmo espaço que nós temos hoje. E aí que entra as tecnologias”. É o famoso ‘fazer mais com o mesmo“, mas com inteligência e inovação.
E essa busca por inovação não é só papo. Ela se traduz em negócios. A expectativa é que o volume de negócios da feira iguale os patamares do ano passado, movimentando cerca de 6 bilhões de reais. Enquanto o PIB nacional anda mais devagar, o agronegócio segue em outra toada, com previsão de crescimento de uns 6% para 2026. Ou seja, enquanto a cidade pisa no freio, o campo acelera.





