Vídeo emocionante de um tatu-canastra se refrescando na lama no Pantanal viraliza. Conheça o papel ecológico desse gigante solitário e os esforços de conservação.
Pantanal: Refúgio do Tatu
O registro foi feito por Joaquim Santana, guarda-parque da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Sesc Pantanal. A cena, que já ultrapassou milhares de visualizações e diversos comentários, mostra o animal deitado de costas, esfregando sua carapaça na lama. Um comportamento natural, mas raramente capturado em vídeo.
Essa “brincadeira” na lama não é à toa. Rolar na lama é uma forma de o tatu-canastra regular a temperatura do corpo e se proteger de parasitas. Com um tamanho que pode ultrapassar um metro e pesar mais de 50 quilos, manter a temperatura ideal e a pele saudável é fundamental para a sobrevivência desse animal.
Apesar da sua força e tamanho, o tatu-canastra está ameaçado de extinção. A população da espécie diminuiu cerca de 30% nas últimas duas décadas, principalmente devido à perda de habitat, atropelamentos e incêndios. A destruição do Pantanal, com o avanço do desmatamento e das queimadas, agrava ainda mais a situação.
Monitoramento e descobertas
O monitoramento do tatu-canastra tem se tornado mais preciso nos últimos anos. Desde 2024, pesquisadores acompanham de perto uma fêmea chamada Isabel. Através dela, foi possível descobrir que a gestação resulta em apenas um filhote por vez e que a maturidade sexual ocorre entre os sete e nove anos de idade. Isabel também demonstrou ser uma mãe dedicada, trocando o filhote de toca a cada 15 dias e amamentando-o por até oito meses.
Recentemente, circulou uma notícia falsa sobre uma “doença do tatu”. A verdade é que o tatu-canastra é um “sentinela” da presença do fungo Paracoccidioidomicose no solo. Ao encontrar o fungo, o tatu pode desenvolver a doença, mas também auxilia na saúde pública ao sinalizar áreas contaminadas. Isso permite que as autoridades tomem medidas para proteger a população humana.