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Mercado Financeiro

Alta nas commodities: petróleo lidera retomada da economia global

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Economista da Euler Hermes analisa índice de preços recorde

Com o petróleo liderando, algumas commodities apresentaram níveis recordes sobre vários anos, em linha com a demanda reprimida prevista. Desde as baixas de maio de 2020, o milho, a soja e o cobre estão em máximas de sete a oito anos, enquanto o algodão está sendo negociado em uma alta de três anos (Figura 1). O economista Ano Kuhanathan, da líder mundial em seguro de crédito Euler Hermes, afirma que, no entanto, os preços de energia, que são em grande parte impulsionados pelo petróleo, experimentaram o maior aumento.

“Grande parte do aumento pode ser explicado pela aceleração esperada do crescimento do PIB para 2021, depois que os “lockdowns” frearam a economia global por um ano inteiro. Projetamos que a China cresça +8,2%, os EUA +5,3%, a Zona do Euro + 4,3% e os Mercados Emergentes +6% em 2021”, explica.

Figura 1: Índices de preços de commodities (maio de 2020 = 100)

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Figura 1

Impacto pós-covid

O economista explica que conforme o mundo vai se reconectando e lidando com os temores pós-Covid-19, as restrições de fornecimento e estoque estão temporariamente empurrando os preços das commodities para cima. “Enquanto os estoques têm diminuído para metais industriais nos depósitos da LME, notamos uma aceleração nos estoques de alguns metais, especialmente cobre e alumínio, nos depósitos SHFE chineses. Além disso, o armazenamento de metais implementado pelo “State Reserve Bureau” (SRB) tem sido historicamente uma medida de apoio à política na China. Durante a crise financeira entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, por exemplo, o SRB comprou 590 mil toneladas de alumínio e 159 mil toneladas de zinco. Embora os números sejam desconhecidos, podemos certamente afirmar que o SRB apoiou a indústria de metais estocando em 2020”, afirma.

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O cobre é um exemplo particularmente notável: os armazéns chineses estavam reabastecendo e mantendo altos níveis de estoques, enquanto o saldo da produção global (produção menos uso / vendas) estava em território profundamente negativo (Figura 2).

Figura 2: Preço à vista de cobre, estoques da Bolsa de Xangai e saldo de produção global

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Figura 2

Além de usar estoques como suporte político para sua indústria, a China também armazenou commodities alimentícias por razões estratégicas. Embora não haja dados sobre as compras do SRB, as importações chinesas de grãos e cereais (ou seja, arroz, trigo e milho) aumentaram 71% em 2020 em comparação com 2019 (Figura 3). Curiosamente, em um contexto de tensões com Washington, a China não aumentou suas importações de alimentos dos Estados Unidos.

Figura 3: Importações de grãos e cereais da China

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Alta nas commodities: petróleo lidera retomada da economia global 1

O fornecimento de commodities foi duramente atingido pela Covid-19: as minas tiveram que fechar, a extração em campos de óleo de xisto teve que ser interrompida e as safras foram perdidas devido à falta de trabalhadores disponíveis. No entanto, com a melhora da situação sanitária, a demanda e a oferta se normalizarão.

Em particular, é esperado menos ação da China nos mercados de commodities, uma vez que o apoio a esse tipo de política diminuirá e as reservas estratégicas são altas. “Também esperamos alguma valorização do dólar no segundo trimestre de 2021. No entanto, como a oferta deve permanecer de alguma forma restrita, vemos os preços recuando ligeiramente e se consolidando em níveis relativamente mais altos para a maioria das commodities”, afirma Kuhanathan. (Tabela 1).

Primeiro, no segmento de petróleo, a OPEP+ provavelmente aumentará de forma prudente sua abordagem de produção; o setor de xisto dos EUA continua focado na reestruturação financeira. No setor alimentar, os efeitos climáticos, como o La Niña, combinados com as restrições à exportação de alguns países exportadores (por exemplo, Rússia, Ucrânia), provavelmente colocarão um limite na produção disponível nos mercados globais. Com relação aos metais, as mineradoras estão felizes em ficar atrás da curva: os preços atuais permitem que elas reconstituam o caixa.

Tabela 1: Previsões para commodities selecionadas

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Além das questões de oferta e demanda, a seguradora não vê nenhum sinal de participantes do mercado sustentando todo o espaço de commodities. Expandindo a pesquisa acadêmica anterior, foi construído um indicador de rebanho variável no tempo para os mercados de commodities da Ásia e dos Estados Unidos.

“Embora tenhamos visto o agrupamento de investidores nos mercados asiáticos (ou seja, amplas compras ou vendas sem qualquer distinção quanto ao tipo de commodities) em 2015-2016, e durante um breve período no final de 2019, a partir de hoje não vemos evidências de tal comportamento em quaisquer mercados de commodities”, explica o economista.

Figura 4: Indicador de pastoreio para os mercados de commodities da Ásia e dos EUA

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De acordo com a Euler Hermes, não há evidência de especulação financeira em commodities individuais também. Usando dados CFTC, foi calculado o índice “Working’s Speculative” com base no posicionamento de mercado relativo de agentes financeiros vs empresas. O resultado é menor do que nos ciclos de alta anteriores para todas as commodities (Figura 5). O índice foi muito mais alto para a maioria das commodities durante o ciclo 2016-2017.

Figura 5: Índice especulativo para commodities selecionadas

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Alta nas commodities: petróleo lidera retomada da economia global 2

No geral, essas pressões inflacionárias colocam alguns setores em risco no curto prazo. Com o aumento dos preços das commodities, os preços dos insumos também estão sob pressão. Os dados mais recentes das pesquisas provenientes dos EUA e da Europa estão sugerindo preços mais altos de insumos.

“Como algumas empresas já estão trabalhando com margens estreitas e outras estão tentando compensar os maus resultados do ano passado, elas podem aumentar os preços de venda. Esse efeito de bola de neve pode levar a pressões inflacionárias na economia em geral. Do ponto de vista setorial, a vulnerabilidade a uma oscilação nos preços das commodities não é a mesma em todos os setores”, finaliza.

Tabela 2: Previsões para commodities selecionadas

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Por Euler Hermes

AGRONEWS – Informação para quem produz

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1 Comentário

1 Comentário

  1. Nicolau Balaszow

    23 de março de 2021 às 18:10

    Este material traz clareza sobre a situação atual e mostra, com clareza, os caminhos e as escolhas dos países que detém o poder.

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Mercado Financeiro

Brasil exportou mais de 104 mil toneladas de arroz em março, diz Abiarroz

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As exportações brasileiras de arroz (base casca) em março totalizaram 104.404 toneladas, superando em mais de 20 mil t os embarques de 83.472 t de igual mês de 2020

É o que informa a Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), com base em números do Ministério da Economia. A projeção da entidade é que as vendas externas do cereal cheguem a cerca de 1,5 milhão de t neste ano.

“O bom resultado de março talvez ainda tenha tido um rescaldo das vendas externas do ano passado, quando tivemos uma demanda superaquecida por causa da pandemia de covid-19”, diz o diretor de Assuntos Internacionais da Abiarroz, Gustavo Trevisan, acrescentando que o reconhecimento da qualidade do arroz brasileiro também tem impulsionado as exportações.

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Senegal (30.147,06 t), Gâmbia (28.676,47 t), Peru (21.509,04 t), Países Baixos (14482,40 t) e Venezuela (4.279,41 t) lideraram as compras de arroz brasileiro no mês passado.

De janeiro a março deste ano, as vendas externas do cereal brasileiro alcançaram 207.723 t, contra 238.178 t do primeiro trimestre de 2020.

Trevisan avalia que as exportações de arroz somem 1,5 mi de t neste ano, situando-se entre os volumes embarcados em 2019, de 1,36 mi de t, e em 2020, de 1,82 mi t. “Até o momento, o cenário de 2021 se mostra mais complicado que o de 2020.”

Importações

Em março, as importações do cereal pelo mercado nacional somaram 73.542 t, contra 117.210 t do mesmo mês de 2020.

https://agronews.tv.br/receita-de-cupim-na-panela-de-pressao-2/

No mês passado, com exportações de 104.403 t e importações de 73.542 t, o saldo da balança comercial ultrapassou 30 mil t.

“O desempenho superavitário de março quebrou uma sequência de quatro meses de performance deficitária”, pontua o diretor-executivo do Sindarroz-RS, Tiago Sarmento Barata.

No primeiro trimestre deste ano, as compras brasileiras de arroz de outros países atingiram 286.860, contra 260.240 de igual período de 2020.

A maior parte das importações foram procedentes do Paraguai, Uruguai e Argentina.

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Mercado Financeiro

Confira o desempenho do ovo na granja, na 15ª semana do ano

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ovo

Na semana passada (15ª semana de 2021, 11 a 17 de abril) os produtores de ovos brancos e vermelhos conseguiram melhorar as condições de comercialização logo no primeiro dia de negócios. E foi só! O restante da semana mostrou um mercado que foi se enfraquecendo gradativamente e encerrou a semana em ambiente totalmente fragilizado.

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De toda forma, o preço semanal apresentou índice positivo de 5,2% na semana e de 4,9% sobre o mesmo período de 2020. Já o acumulado no decorrer de abril alcança valor de R$107,64, equivalendo a índice levemente negativo em relação a março último, enquanto, por ora, aponte evolução de quase 10% sobre abril do ano passado.

A semana atual (16ª semana, 18 a 24 de abril) não traz grandes perspectivas por apresentar um mercado de ovos em perceptível depauperação e um feriado nacional que tende a dificultar ainda mais os negócios. E isso deve causar extrema pressão sobre os preços no decorrer da semana.

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Por Ovosite

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Colheita de milho de verão 2020/21 atinge 78,6% no Brasil, afirma SAFRAS

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A colheita da safra de verão 2020/21 no Brasil de milho atingia 78,6% da área estimada de 4,353 milhões de hectares até sexta-feira (16), segundo levantamento de SAFRAS & Mercado

Os trabalhos de colheita atingem 94,3% no Rio Grande do Sul, 90,4% em Santa Catarina, 94,7% no Paraná, 90,5% em São Paulo, 72,3% em Mato Grosso do Sul, 58,9% em Goiás/Distrito Federal, 46,8% em Minas Gerais e 67% em Mato Grosso.

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No mesmo período do ano passado, a colheita atingia 76,6% da área estimada de 4,119 milhões de hectares da safra verão 2019/20. A média de colheita nos últimos cinco anos para o período é de 79,6%.

Por Arno Baasch – Agência Safras

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