Tambores de guerra no Leste europeu nos preços dos ativos de risco e das commodities

Também a produção animal pode ficar mais cara se o cenário de guerra prosseguir, pois haverá custo mais altos para as rações

Por Giovanni Lorenzon – AGRONEWS®

Não há como não observar com lupa o imbróglio entre Rússia, Ucrânia e os aliados da Otan, deste último, porque invariavelmente vai mexer com os ativos de risco e, entre eles, as commodities.

O sentimento de aumento do risco dos mercados é evidente e isso vai balizar, junto com os fundamentos das commodities e das ações.

Traçar um cenário da crise geopolítica, com as tropas russas na fronteira de Ucrânia, se invade ou não invade, sempre é um risco, mas os lances estão dados há dias.

O petróleo segue a trajetória de alta, embora em leve ajuste hoje, e o trigo também.

Os dois derivativos mais sensíveis à crise, já que o país de Putin é um grande produtor mundial e os ucranianos respondem por até 10% da oferta global do cereal.

Mas o milho também sente o impacto nos preços, porque a Ucrânia também é expressiva produtora na Europa, além de seguir o rastilho do etanol.

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E o açúcar também vai junto, porque se o etanol seguir em alta, pela disparada do petróleo sendo revertida para os preços da gasolina no Brasil, mais cana será usada para o biocombustível e menos para o adoçante. Desse modo, encurta a oferta brasileira de açúcar no mundo.

A soja também terá reflexos, porque é a commodity agro mais líquida, que sente o impacto da aversão ao risco dos mercados financeiros, em alguns dias, mas tem o apoio de alta da baixa oferta brasileira.

Enfim, de olho então.

Em caso de guerra, com ou sem a entrada dos Estados Unidos e aliados da Otan, os preços avançam. Só com as sanções que seriam impostas à Rússia já é o suficiente.

Em caso de haver uma distensão, que ponha fim à eminência de um conflito, ou empurre mais para frente uma decisão, podem afrouxar.

De todo modo, olhando friamente, ganham os exportadores de milho, soja e, no caso das companhias sucroenergéticas, ganham com o açúcar e com o etanol.

Perdem os importadores de trigo, com a necessidade brasileira de buscar externamente 6,5 milhões de toneladas.

Mas nada é seguro e definitivo no momento.

Daí que os preços transitam entre esses fatores da geopolítica e os seus fundamentos.

E os outros setores do agronegócio, como podem sentir tudo isso?

Sempre olhando pelo pior cenário, guerra ou sanções econômicas contra a Rússia, a produção de proteína animal vai ficar complicada.

Os grãos em alta, certamente vão impulsionar os custos de produção, não tem como evitar.

Lembrando que o trigo também vem caro porque tem entrado, há quase dois anos, na composição das rações em parte do milho.

Aves e suínos têm pouca flexibilidade, porque não têm escolha. Precisam de ração.

No caso da bovinocultura, há uma divisão.

Boi de curral, de confinamento, fica mais caro.

Boi de pasto nem tanto, mas também a situação na Europa precisa estar clareada, para o melhor cenário possível, ou seja, de paz, até que a estiagem de 2022 não comece e mostrar as caras ao final de abril, por exemplo.

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