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Impasse na soja, juros garantindo dólares e inflação inflexível. O que vai por aí nos mercados

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Grão tem preço interno alto e dólar baixo, guerra não desvia recursos do Brasil, mas inflação não deve ceder

Por Giovanni Lorenzon – AGRONEWS®

Pergunta que não quer calar: com a cotação do dólar próxima dos R$ 5 e os preços no Brasil em patamares bem menos competitivos que nos Estados Unidos, como ficam os negócios com a soja?

O preço porto na quinta passou próximo dos R$ 210 a saca e com os importadores tendo que demandar mais dólares contra o real fortalecido, o desvio para a soja dos Estados Unidos é maior, como tem mostrado os resultados do USDA.

E os dois indicadores não devem mudar, segundo analistas.

De um lado, a acentuada ruptura da safra brasileira, caminhando para final da colheita, beirando as 120 milhões de toneladas, fornece combustível para valorização.

Do outro, a remessa de divisas para o Brasil, em busca do rentismo dos juros altos, parece seguir com fôlego, mantendo o dólar com menor pressão de alta.

Ainda há instabilidade expressiva como resultado do conflito militar na Ucrânia e bloqueio econômico à Rússia, no qual a soja entra na esteira com muita volatilidade.

Mas não é o fim do mundo.

Um pouco de paciência e espera farão bem.

A China vai ter que se dirigir ao Brasil.

Os estoques americanos vão minguando e não haverá com os chineses represarem suas compras, diante da necessidade básica de importações que eles necessitam.

E acabarão tendo que encarar os valores daqui, que vão ficar ainda mais atrativos à medida que avança o segundo trimestre.

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Divisas X câmbio

Apesar de tamanha instabilidade global, motivada pelo ditador da Rússia tentando engolir a Ucrânia, a entrada de divisas no Brasil é surpreendentemente alta.

Não seria surpresa se não tivesse a guerra. Mas, com o cenário sob risco mais explosivo do que já está, sim, é surpresa.

Os investidores internacionais continuam trazendo dólares para o Brasil, quando podiam apenas mandar dinheiro para os Estados Unidos, o porto seguro natural do mundo.

Os juros altos no Brasil, com a Selic a 10,75%, imprimem um bom ritmo de entrada de recursos atrás dos títulos de renda fixa, incluindo os do Tesouro.

O resultado é que o dólar perde força – o que seria normal com a crise militar e política na Europa – com a oferta da divisa americana maior no País. É ruim para os exportadores, como falamos acima da soja, sim, mas é do jogo.

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Inflação tem suporte

E a inflação? Bom, não se tem boas notícias, como estamos vendo nos últimos dias.

A queda do dólar, testada pela política monetária do Banco Central puxando os juros, poderia dar resultado mais esperado no combate aos preços.

Afinal, baratearia as importações.

Mas não vinha funcionando bem e não vai funcionar mais daqui para frente.

As commodities já estavam com preços altos, milho e soja, por exemplo, com a quebra no Brasil.

O trigo dispara sem freios por causa da saída de mercado do cereal da Ucrânia (também o milho, no caso) e da Rússia.

O petróleo acima de US$ 110 e a Petrobras tendo que recorrer a algum aumento a qualquer hora, mesmo que siga repassando menos para os combustíveis.

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