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Opinião

Poesia: O autodidata

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poesia autodidata

Dedico estes versos a todos que aprenderam a aprender, são criativos, resistem aos padrões impostos, e estão sempre propondo o amanhã.

O que é o autodidata?
Os lampejos de uma genialidade indisciplinada.
Os raios de um globo de plasma eletrizado.
As bromélias do cerrado incendiando a mata.
O diamante bruto nunca lapidado.
A obra de uma vida, a cada instante.

O que é o autodidata?
Muitas vidas e nenhuma, ao mesmo tempo.
A criatividade randômica, a efetividade relativa.
O sábio que salva a cidade, sendo depois esquecido.
A rebeldia obstinada e a perspectiva divergente.
O olhar alternativo e a resistência aos padrões.

O que é o autodidata?
Um olhar renovado sobre tradições antigas.
A ojeriza ao lugar comum.
A rígida disciplina da contravenção metódica.
A incessante busca da voz, ao invés dos ecos.
Uma vida honoris causa.

O que é o autodidata?
A oficina do meu pai no quintal de casa.
Os jogos de xadrez no corredor do Campus.
Trancar-se no quarto esmurrando a parede.
Matar aula para estudar na biblioteca.
O olhar iluminado, de Anninha, minha filha.

Manoel Delgado Júnior
Poesia: O autodidata

Por: Dr. Manoel G. Delgado Júnior – Diretor do IBAA Cuiabá

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1 Comentário

1 Comentário

  1. Gilberto Vieira de Sousa

    19 de abril de 2021 às 17:09

    Em um mundo tão conturbado, onde o que geralmente nos chega são notícias ruins, é um grande alento ler uma poesia tão bem feita e tão suave.
    Parabéns ao poeta Dr Manoel Delgado Junior e parabéns ao AgroNews pela iniciativa de publica-lo.

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Opinião

Alta Selic: qual o impacto para a população?

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selic

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central promoveu na última quarta-feira (05) outro aumento da taxa Selic, ou seja, a taxa básica de juros do país, elando o valor em 0,75 ponto, para 3,50% ao ano, conforme esperado pelo mercado financeiro. Mas, qual o impacto a vida dos brasileiros?

Os reflexos dessa mudança são em todo o mercado, no entanto, no dia a dia da população consumidora é onde os impactos negativos são mais observados e sentidos, principalmente para aqueles que estão endividados – 66,6% da população, de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, divulgada em abril pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.

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Isso acontece porque, quando a taxa Selic aumenta, os outros juros também aumentam, fazendo com que as dívidas a serem contraídas fiquem maiores e podendo impactar também nas dívidas já existentes. Assim, imaginem os juros de cheque especial ou de cartão de crédito, por exemplo, que já são exorbitantes? Esses devem aumentar ainda mais.

Ou seja, um reflexo deverá ser o aumento dos juros de crédito da população, como empréstimos e financiamentos, complicando e limitando a capacidade de consumo. A orientação nessa hora é analisar bem as contas e começar a trabalhar para uma maior estabilidade financeira, não complicando a vida financeira.

https://agronews.tv.br/pq-brangus-webserie-da-abb-aborda-producao-de-carne-de-qualidade-e-detalhes-da-raca/

E esse processo passa por uma mudança de comportamento em relação ao uso e à administração do dinheiro, o que implicará no fim da era do consumo exacerbado e impulsivo. O momento é de muita cautela e precaução, pois a saúde financeira e a realização dos sonhos das famílias dependerão dessa conscientização. É preciso reestruturar o orçamento financeiro e assumir o controle da situação, antes que se torne insustentável.

Boa hora para investir

Aos que não estão endividados e, melhor ainda, possuem o costume de poupar para realizar seus objetivos de vida, a alta da Selic é uma boa notícia, principalmente para as aplicações de renda fixa em que o rendimento é atrelado a essa taxa, como os CDBs pós-fixados, os fundos DI, as Letras Financeiras do Tesouro (LFT) e títulos negociados via Tesouro Direto.

O que não significa que, quem tem um dinheiro em mãos para investir, deve colocar integralmente nessas modalidades, até porque, a aplicação deve ser escolhida de acordo com o prazo do que você quer realizar com esse dinheiro: curto (até um ano), médio (de um a dez anos) e longo prazo (acima de dez anos). Em uma primeira análise, posso afirmar que, para investimentos de curto prazo, é bastante interessante colocar o seu dinheiro nestas opções.

Por Reinaldo Domingos – Presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros

AGRONEWS – Informação para quem produz

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Especialistas

Indicado ao Nobel da Paz, Alysson Paolinelli conta os desafios da pesquisa agropecuária brasileira

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Alysson Paolinelli

O passado, o presente e futuro da pesquisa agropecuária brasileira foram abordados pelo ex-ministro da Agricultura Alysson Paolinelli, em palestra on-line realizada no dia 7 de abril. O evento integra o Ciclo de Palestras Técnicas promovido pela Embrapa Cerrados. Com a participação de pesquisadores e especialistas, o evento busca aproximar a pesquisa do setor produtivo.

Paolinelli destacou a importância das pesquisas da Embrapa Cerrados na conquista do Bioma Cerrado. “Hoje, graças a Deus e a vocês, o Cerrado se transformou na área mais produtiva e competitiva que o mundo tem. Além disso, dá condições para (o País) garantir a segurança alimentar até 2050 com mais 40% da atual oferta (de alimentos)”, apontou.

Aspectos históricos

Ele relembrou fatos sobre a evolução da agricultura brasileira a partir do final da década de 1960, quando o País era um importador de alimentos diante do cenário de dificuldades na produção mundial, e de sua trajetória como ministro da Agricultura, entre 1974 e 1979.

“Havia a necessidade de mudanças e foi o Brasil quem efetivamente se planejou para fazê-las e teve bom êxito. Foi montado um projeto estratégico. A primeira lança, da ciência, da tecnologia e da inovação, teve o processo comandado pela Embrapa. Mas tivemos que fazer um grande esforço para preparar a juventude brasileira”, disse, lembrando a contratação e o treinamento de técnicos para a Empresa, oriundos de universidades, organizações estaduais de pesquisa e da iniciativa privada.

Para realizar a transferência das inovações para o produtor rural, foi criada a Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural (Embrater), que absorveu a estrutura da Associação Brasileira de Crédito e Assistência Rural (Abcar). “Transformamos a Abcar em nosso órgão de transferência, assistência técnica, crédito orientado, extensão rural para desenvolvimento e educação da família e de todos que estivessem envolvidos para que as mudanças se realizassem mais rapidamente, sem confronto com a insensatez”, explicou.

Políticas públicas

O terceiro ponto da estratégia foi uma política pública que estimulasse os produtores, como programas de desenvolvimento regional, a exemplo do Polocentro, que visava incorporar parte do Cerrado à produção agropecuária brasileira em cinco anos. “O projeto do Polocentro funcionou como um relógio. Os produtores mostraram que queriam ser influenciados pelas inovações que davam certo nos vizinhos. Quando deixamos o governo, já haviam mais de 3 milhões de hectares de Cerrado em uso no Brasil, o que garantiu ao País o equilíbrio da balança comercial, pois em cinco anos nos tornamos quase autossuficientes”, destacou.

Paolinelli lembrou que a transformação do Bioma começou com a construção da fertilidade do solo, com transformações químicas e biológicas. “Já nos três ou quatro anos (iniciais), o Cerrado dava demonstração de que seria a área mais produtiva e competitiva que o mundo tinha. Além disso, estava se criando pela primeira vez uma agricultura tropical altamente sustentável, o que daria ao mundo uma nova expectativa”. Com isso, segundo o ex-ministro, o Brasil entrou no mercado mundial de alimentos, oferecendo produtos de melhor qualidade a preços mais competitivos durante todo o ano.

Ao falar dos desafios atuais da agricultura brasileira, ele ressaltou que a pesquisa não pode parar. “A ciência é dinâmica. Se ela já nos valeu muito na Química, na Física, na Genética, ela vai nos valer mais agora na área da Biotecnologia. Estamos importando mais de US$ 35 bilhões da indústria química da qual somos dependentes”, disse, apostando no potencial do País em avançar nas mudanças dos processos produtivos, incorporando insumos biológicos, e manter a competitividade na agricultura.

Para Paolinelli, a agricultura tropical vai mudar em qualidade, consistência, nutrabilidade e na feição dos alimentos que produz e que o mundo demanda. “Os países ricos pagam muito caro pelos alimentos nobres, mas já não têm áreas aráveis nem água para competir conosco. Temos que inovar. Não tenho medo dessa concorrência, pois acredito na juventude brasileira, que vai assumir o comando do processo produtivo, como acreditei em vocês”, disse.

Por outro lado, o ex-ministro advertiu que 80% das propriedades brasileiras (cerca de 4,5 milhões) ainda não são capazes de incorporar tecnologias e de produzir o suficiente para gerar renda. “Nunca seremos um país desenvolvido enquanto isso existir. A única forma é estimular a pesquisa, a assistência técnica, a extensão rural, dando condições para que esses produtores aceitem as inovações e consigam introduzi-las no seu sistema produtivo para produzirem mais e terem renda. Esse é o grande desafio do Brasil de hoje”, apontou, defendendo a integração das competências nacionais.

O chefe geral da Embrapa Cerrados, Sebastião Pedro da Silva Neto, anfitrião do evento, agradeceu a Paolinelli pela fala. “Suas palavras nos dão estímulo e um pouco da coragem que o senhor e a sua geração tiveram de gerar os nossos centros da Embrapa, de construir as inovações tecnológicas para corrigir os problemas que ainda temos e de encontrar formas mais sustentáveis para que nosso país e o Cerrado brasileiro cumpram o papel que hoje toda humanidade espera de nós”, comentou.

Após a palestra, Paolinelli e Sebastião Pedro responderam a perguntas encaminhadas pelo chat do YouTube, abordando as linhas de pesquisa prioritárias para a agricultura do futuro no Cerrado e no Brasil, sobretudo bioinsumos, remineralizadores de solo e controle biológico; como acelerar a adoção dos sistemas que promovem a intensificação sustentável da produção agrícola no País; como os extensionistas rurais podem levar informações ao setor produtivo; desafios futuros; como os produtores podem acessar as novas tecnologias geradas pela pesquisa; e qual deve ser o perfil do pesquisador frente à nova revolução verde.

O chefe geral destacou a importância das falas de Paolinelli ao lembrar que os centros de pesquisa da Empresa estão em fase de elaboração dos Planos de Execução da Unidade (PEU), à luz do VII Plano Diretor da Embrapa (PDE), lançado em 2020. “Recebemos muitos sinais e informações preciosas para que possamos construir o nosso PEU. Tudo o que ele falou está conectado ao nosso VII PDE. Foi uma oportunidade excepcional, e esta live nos dará muitas informações estratégicas e muito ânimo para perseguir as soluções tecnológicas que o Cerrado, o Brasil e o mundo precisam”, disse.

O ex-ministro deixou uma mensagem final de otimismo. “Não acredito que sou visionário. Acredito nas coisas. Aprendi muito cedo que não ganhamos nada de graça. O que você quiser fazer, trabalhe, lute com afinco, determinação, competência, vontade e honestidade. Essa é a equação”, afirmou.

Assista na integra o evento online.

Sobre o palestrante

O engenheiro agrônomo Alysson Paolinelli atualmente é presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho) e do Instituto Fórum do Futuro. Além de ex-ministro, foi secretário de Agricultura em Minas Gerais por três vezes e professor de Hidráulica, Irrigação e Drenagem e diretor da Escola Superior de Agricultura de Lavras.

Em 2006, juntamente com Edson Lobato, pesquisador aposentado da Embrapa Cerrados, e com o cientista norte-americano Andrew Colin McClung, foi laureado pelo World Food Prize, o “Nobel” da Agricultura, pelo papel vital na transformação dos solos inférteis do Cerrado em áreas agrícolas produtivas, o que viabilizou a agricultura tropical no Bioma.

Em janeiro de 2021, foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/Usp), com o apoio de instituições de 24 países. De acordo a Esalq, a indicação se deve ao legado de Paolinelli em transformar o Brasil, de importador de alimentos em 1970, em potência mundial do agronegócio, o que possibilitou alimentar cerca de 1,2 bilhões de pessoas no mundo todo em 2016; e por liderar o projeto Biomas Tropicais, que procura estruturar um planejamento estratégico para prover a produção de alimentos para mais 1,12 bilhões de pessoas em 2050, atendendo à expectativa da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) de que o País responda por 40% da expansão da produção mundial até aquele ano, promovendo a paz.

Por: Breno Lobato – Embrapa Cerrados

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Opinião

FIAgro: Expectativa x Realidade

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O agronegócio brasileiro tem uma importância gigante no cenário estadual, nacional e internacional e continua se destacando, mesmo durante a pandemia. Segundo dados do IBGE, o setor faturou R$ 2 trilhões em 2020 e seu PIB cresceu 2%. Em estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, a informação do Instituto é que a participação do agro no PIB varia de 30% a 50%.

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Mesmo com esses números elevados, é evidente a necessidade de mais investimentos no setor para que seja possível atingir altos níveis de produtividade e sustentabilidade, principalmente devido às novas tecnologias para atender o desenvolvimento do setor de produção, emprego de tecnologia de ponta e compliance.

Nesse sentido, os fundos criados para o agronegócio podem aproximar o setor do mercado de capitais. A Lei nº 14.130/2021, que cria o FIAgro (Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais), foi uma alternativa para estimular a entrada de produtores no mercado de capitais e de investidores interessados no agronegócio. Sancionada com vetos pelo presidente da república, no dia 30 de março passado, já está em vigor.

A ideia do FIAgro era torná-lo um grande aliado da cadeia produtiva do agronegócio, com a possibilidade de prover aos produtores a liquidez do mercado de capitais. Num momento de taxas de juros baixas e de crise econômica, como esse que estamos vivendo com a pandemia, essa opção favorece a participação de investidores dos mais variados portes e renda que buscam cenários mais atrativos na renda variável.

https://agronews.tv.br/especialista-em-direito-agro-da-dicas-para-venda-de-safra-futura-da-soja/

Não resta dúvida de que o fundo seria uma grande oportunidade de ampliar as alternativas de financiamento para o agronegócio, proporcionando crescimento e desenvolvimento para o país, já que permite que investidores nacionais e estrangeiros direcionem recursos ao setor por meio de aplicações em ativos financeiros atrelados ao agronegócio ou da aquisição de imóveis rurais.

No entanto, como nem tudo são flores, por recomendação do Ministério da Economia, o setor foi pego de surpresa com vetos a dispositivos importantes que, na prática, desmotivam o uso do FIAgro.

Entre eles, foi vetado o dispositivo que garantia a isenção do Imposto de Renda aos rendimentos oriundos de aplicações, realizadas pelo FIAgro, em Certificado de Depósito Agropecuário (CDA), Warrant Agropecuário (WA), Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA), Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e Cédula de Produto Rural (CPR).

Outro dispositivo vetado foi o que previa a isenção dos rendimentos distribuídos pelo FIAgro, com cotas admitidas à negociação em bolsa de valores ou mercado de balcão organizado, com no mínimo 50 cotistas.

Essas isenções estão disponíveis e dizem respeito aos Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs). Se a finalidade, ao criar o FIAgro, era estimular o seu uso como fonte alternativa de financiamento do agronegócio, não existe motivo para colocá-lo em situação desfavorável quando comparado aos FIIs.

Adryeli Costa, advogada especialista em Direito do Agronegócio

Também foi vetado o dispositivo que permitia o diferimento do Imposto de Renda sobre o ganho de capital apurado por ocasião da integralização das cotas do FIAgro, por pessoa física ou jurídica, para o momento de sua efetiva realização, quando da alienação, da amortização ou do resgate de suas cotas.

Caso os vetos sejam mantidos, acredito que será difícil esse fundo tão relevante ao agronegócio decolar. Vamos torcer para que o Governo Federal se sensibilize e reveja isso, possibilitando que realmente o FIAgro consiga atingir o seu objetivo inicial, de ser uma alternativa interessante e viável para financiamento ao agronegócio.

Por Adryeli Costa, advogada especialista em Direito do Agronegócio

AGRONEWS – Informação para quem produz

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