A soja não está onde deveria estar. Preços não exprimem a dureza da quebra na América do Sul

Com safra abaixo da última, depois de um planejamento inicial de que poderia chegar a 144 milhões/t, a soja merecia preços mais elevados

Por Giovanni Lorenzon – AGRONEWS®

A soja está no centro das atenções do mercado internacional com o quadro alarmante das perdas esperadas na produção da América do Sul.

Enquanto Mato Grosso e demais produtores do Centro-Oeste batem em uma safra recorde, a colheita, já iniciada, também no Sul, mostra o agravamento dos prejuízos.

O duro é que, para muitos sojicultores, os preços não exprimem a realidade frente às perdas.

O grão passou dos US$ 14 o bushel, mas era para estar em muito mais. O USDA, referência na precificação, ainda acredita em uma produção nacional de 136 milhões de toneladas no Brasil, contra a expectativa de agentes de que o ciclo 21/22 não sai com mais de 132 ou 133 milhões/t.

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A quebra seria em torno de 20 milhões/t, quando se pensava em 144 milhões/t, depois da forte onda de calor e estiagem.

Somados aos recuos da produção no Paraguai e Argentina, o consultor Vlamir Brandalizze arrisca uma quebra de 40 milhões/t.

Então, com essas condições, bastou um pouquinho de chuva na Argentina e as que se preveem para o Rio Grande do Sul, que ainda tem lavouras mais tardias, para as cotações afrouxarem.

Se estiver numa régua superior, a especulação seguiria, mas descendo de um teto acima.

E com o avanço dos trabalhos de campo, a partir de fevereiro, mesmo com oferta mais reduzida, ainda assim haverá mais oferta.

O temor, portanto, é que com esse cenário de ‘minimização’ dos prejuízos da safra, os preços não alcancem o nível necessário dos custos de produção, aumentados com a necessidade de maior nível de tratos culturais e replantio de áreas que ficaram mais degradadas.

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Lembrando, sempre, que também os preços dos insumos foram mais altos para o produtor dar conta.

Desse modo, todo o Brasil perde com a soja.

Os agricultores do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul perdem diretamente e os do Sudeste, Centro-Oeste e Matopiba, perdem também, indiretamente, porque não vão se beneficiar das cotações que deveriam estar.

Lembra-se, também, que a China tem em torno de 40 milhões de toneladas já compradas no Brasil, e deverá ser cautelosa para buscar os 20 milhões que faltariam.

Nesse caso, com estoques mais tranquilos desde o ano passado, mesmo comprando mais de 4% a menos no País, os chineses não buscarão em excesso, mais um ano, e não se poderá contar, dito isso, com precificação mais forte da demanda.

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